segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A experiência

 

O chocalhar de chaves à porta da minha cela distraiu-me da leitura; levantei os olhos do livro e encarei o Guarda Monteiro, com a sua eterna cara de poucos amigos. 

- ‘bora, Pereira, vamos embora.

Olhei para ele. 

- Embora? Para onde?

Em resposta, entregou-me um envelope do Ministério de Justiça. Abri e li a carta. 

“O pedido para submeter o detido Gil Pereira, nº 11574, data de nascimento 23/07/1992, a um tratamento experimental, relacionado com uma possível libertação em liberdade condicional no futuro, foi deferido pelo Ministério de Justiça. Tome as medidas necessárias para que o detido seja entregue à Dra. Yelena Rostovseva o mais rapidamente possível. Uma cópia desta carta foi também enviada à Dra. Rostovseva.”

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A lança da caçadora

 


(história anterior)

Assim que Tommy me mostrou imagens da amiga, o meu coração falhou um batimento e fiquei embasbacada a olhar para ela.

- Meu Deus… – não consegui deixar de dizer.

O seu nome artístico era “Ugaarsade”1. Era uma mulher de pele cor de ébano, alta e esguia, de porte musculado; tinha o cabelo totalmente rapado, uns olhos negros felinos e lábios grossos. Nas imagens, ela estava sempre em poses dominantes, numa delas segurando um chicote com ar de quem sabia utilizá-lo. Então uma das últimas mostrava-a totalmente nua e soltei um gemido de surpresa:

- Ela é uma shemale?

- Sim, é. Disfarça bem, não é? – riu-se Tommy, olhando para mim divertida.

- Se não a visse nua, nem percebia!

Voltei a ver aquela imagem: Ugaarsade estava nua, segurando na mão esquerda um longo bullwhip enquanto com a mão direita agarrava o seu órgão genital: era grande, ultrapassava e bem a largura da mão, e parecia ter uns 15 ou 20 cm de comprimento.

- Tommy, tens de me arranjar o contacto dela.

A minha agente soltou uma gargalhada.

- Queres-te envolver com ela, não queres?

- Eu… sim, querida, quero. – sussurrei, engolindo em seco. Porque será que os meus desejos carnais batem sempre tão fortes?

- Hmm… um aviso: ela é extremamente racista, por isso prepara-te para seres humilhada até mais não… achas que consegues aguentar?

Ri-me. Isso para mim não era problema.

- E… – continuou ela – qual é o pagamento que me vais dar por isso, para me traíres com outra gaja?

Olhei para ela, vi os seus olhos a arder de luxúria, engoli em seco e assenti:

- O habitual.