Zeca.
O seu nome era Zeca.
Tinha um físico interessante, sem ser um daqueles “armários” que só viviam para estarem no ginásio. Era alto, tinha uma cara engraçada com dois olhos verde-esmeralda e, apesar de usar sempre roupa justa que lhe definia o corpo, não tinha a musculatura definida por aí além. E – muito importante – aparentava ter inteligência. Quando abria a boca, mostrava ter um tom de voz suave e escolher as palavras com cuidado.
Foi este conjunto de factores que me atraiu a atenção para ele. Quando ia ao ginásio, normalmente via-o sozinho com os seus exercícios, sem perder grande tempo com selfies ao espelho ou em conversações no telemóvel. Entrava, falava com o PT, fazia o que tinha a fazer, quando chegava a sua hora ia embora. Também não lhe vi alianças nem anéis nos dedos.
Decidi ver se lhe conseguia “lançar a rede”. Um dia em que o PT me disse que naquele dia era para puxar pelos braços, fui para a zona onde estavam as barras e os pesos e escolhi propositadamente um peso mais elevado que o que estava habituada a levantar. Tentei (ou fingi que tentei) levantar a barra, não consegui, olhei em volta, vi que Zeca estava ali ao pé, levantei-me e fui ter com ele, que estava puxando pelos ombros:
- Desculpa…
Zeca parou o que estava a fazer e olhou para mim.
- Sim?
- Podes ajudar-me ali com o peso? O PT está ali ocupado e não o queria chatear…
Fiz o ar mais inocente que consegui, enquanto Zeca se levantava, solícito, e foi comigo para me ajudar.
A partir daí, a rotina começou a ser um bocado essa. Sempre que ia ao ginásio, era quase certo que Zeca lá estava, e ele parece que se começou a habituar a ajudar-me com os meus exercícios. Penso que também deve ter engraçado comigo, uma vez que eu também fazia questão de usar roupa justa (normalmente um top cinza e umas bermudas do mesmo género).









