quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O Deus-Alfa

 

(história anterior)

Zeca.

O seu nome era Zeca.

Tinha um físico interessante, sem ser um daqueles “armários” que só viviam para estarem no ginásio. Era alto, tinha uma cara engraçada com dois olhos verde-esmeralda e, apesar de usar sempre roupa justa que lhe definia o corpo, não tinha a musculatura definida por aí além. E – muito importante – aparentava ter inteligência. Quando abria a boca, mostrava ter um tom de voz suave e escolher as palavras com cuidado.

Foi este conjunto de factores que me atraiu a atenção para ele. Quando ia ao ginásio, normalmente via-o sozinho com os seus exercícios, sem perder grande tempo com selfies ao espelho ou em conversações no telemóvel. Entrava, falava com o PT, fazia o que tinha a fazer, quando chegava a sua hora ia embora. Também não lhe vi alianças nem anéis nos dedos.

Decidi ver se lhe conseguia “lançar a rede”. Um dia em que o PT me disse que naquele dia era para puxar pelos braços, fui para a zona onde estavam as barras e os pesos e escolhi propositadamente um peso mais elevado que o que estava habituada a levantar. Tentei (ou fingi que tentei) levantar a barra, não consegui, olhei em volta, vi que Zeca estava ali ao pé, levantei-me e fui ter com ele, que estava puxando pelos ombros:

- Desculpa…

Zeca parou o que estava a fazer e olhou para mim.

- Sim?

- Podes ajudar-me ali com o peso? O PT está ali ocupado e não o queria chatear…

Fiz o ar mais inocente que consegui, enquanto Zeca se levantava, solícito, e foi comigo para me ajudar.

A partir daí, a rotina começou a ser um bocado essa. Sempre que ia ao ginásio, era quase certo que Zeca lá estava, e ele parece que se começou a habituar a ajudar-me com os meus exercícios. Penso que também deve ter engraçado comigo, uma vez que eu também fazia questão de usar roupa justa (normalmente um top cinza e umas bermudas do mesmo género).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A experiência

 

O chocalhar de chaves à porta da minha cela distraiu-me da leitura; levantei os olhos do livro e encarei o Guarda Monteiro, com a sua eterna cara de poucos amigos. 

- ‘bora, Pereira, vamos embora.

Olhei para ele. 

- Embora? Para onde?

Em resposta, entregou-me um envelope do Ministério de Justiça. Abri e li a carta. 

“O pedido para submeter o detido Gil Pereira, nº 11574, data de nascimento 23/07/1992, a um tratamento experimental, relacionado com uma possível libertação em liberdade condicional no futuro, foi deferido pelo Ministério de Justiça. Tome as medidas necessárias para que o detido seja entregue à Dra. Yelena Rostovseva o mais rapidamente possível. Uma cópia desta carta foi também enviada à Dra. Rostovseva.”

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A lança da caçadora

 


(história anterior)

Assim que Tommy me mostrou imagens da amiga, o meu coração falhou um batimento e fiquei embasbacada a olhar para ela.

- Meu Deus… – não consegui deixar de dizer.

O seu nome artístico era “Ugaarsade”1. Era uma mulher de pele cor de ébano, alta e esguia, de porte musculado; tinha o cabelo totalmente rapado, uns olhos negros felinos e lábios grossos. Nas imagens, ela estava sempre em poses dominantes, numa delas segurando um chicote com ar de quem sabia utilizá-lo. Então uma das últimas mostrava-a totalmente nua e soltei um gemido de surpresa:

- Ela é uma shemale?

- Sim, é. Disfarça bem, não é? – riu-se Tommy, olhando para mim divertida.

- Se não a visse nua, nem percebia!

Voltei a ver aquela imagem: Ugaarsade estava nua, segurando na mão esquerda um longo bullwhip enquanto com a mão direita agarrava o seu órgão genital: era grande, ultrapassava e bem a largura da mão, e parecia ter uns 15 ou 20 cm de comprimento.

- Tommy, tens de me arranjar o contacto dela.

A minha agente soltou uma gargalhada.

- Queres-te envolver com ela, não queres?

- Eu… sim, querida, quero. – sussurrei, engolindo em seco. Porque será que os meus desejos carnais batem sempre tão fortes?

- Hmm… um aviso: ela é extremamente racista, por isso prepara-te para seres humilhada até mais não… achas que consegues aguentar?

Ri-me. Isso para mim não era problema.

- E… – continuou ela – qual é o pagamento que me vais dar por isso, para me traíres com outra gaja?

Olhei para ela, vi os seus olhos a arder de luxúria, engoli em seco e assenti:

- O habitual.