segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A experiência

 

O chocalhar de chaves à porta da minha cela distraiu-me da leitura; levantei os olhos do livro e encarei o Guarda Monteiro, com a sua eterna cara de poucos amigos. 

- ‘bora, Pereira, vamos embora.

Olhei para ele. 

- Embora? Para onde?

Em resposta, entregou-me um envelope do Ministério de Justiça. Abri e li a carta. 

“O pedido para submeter o detido Gil Pereira, nº 11574, data de nascimento 23/07/1992, a um tratamento experimental, relacionado com uma possível libertação em liberdade condicional no futuro, foi deferido pelo Ministério de Justiça. Tome as medidas necessárias para que o detido seja entregue à Dra. Yelena Rostovseva o mais rapidamente possível. Uma cópia desta carta foi também enviada à Dra. Rostovseva.”

Devolvi a carta a Monteiro. 

- Qual tratamento experimental? Estou bem! – disse eu. 

- Acho que vão ver se paras com esse hábito de violar miúdas, seu pervertido.” Quase cuspiu a palavra “pervertido”. 

Pois… Quando completei 21 anos, festejei tanto que decidi ter relações sexuais com uma rapariga, custasse o que custasse. Encontrei uma loira bonita num bar e estivemos juntos durante algum tempo. Levei-a para casa, mas, como não parecia muito interessada em sexo, arrastei-a para o quarto dela e obriguei-a a ter relações sexuais comigo. Uns dias depois, fiz a mesma coisa, porque… porque comecei a gostar. Mas, quando tentei pela terceira vez, quando estava prestes a atirar a rapariga para a cama, o namorado dela apareceu e deu-me uma sova, chamando depois a Polícia. Fui condenado a 12 anos…

Olhei para ele. O Guarda Monteiro era um dos guardas prisionais mais duros da prisão e não perdia a oportunidade de me bater. Fiquei perplexo ao vê-lo dar-me aquela notícia…

- Que significa isto do “tratamento”? – perguntei. 

- Não faço ideia. Se me perguntassem, eu diria para lhe cortarem as bolas.

 Suspirei. 

- Amigável como sempre, hein, Sr. Guarda?

- Cala-te. Se dependesse de mim, tinhas ficado com o resto dos criminosos, com eles a espancarem-te todos os dias.

Um recém-chegado e um violador: duas coisas que não agradaram minimamente aos meus novos colegas, assim que cheguei à prisão. Perdi a conta às vezes que fui espancado por eles, às vezes que me violaram, mesmo com objectos, às vezes que tive de ir para a enfermaria, aos dias que tive de lá passar, até que o director me transferiu para a zona de confinamento solitário.

Encolhi os ombros e virei-lhe as costas. 

- Então, quanto tempo vou lá ficar?

 - Não sei, nem me interessa. Tomara que a Doutora te mantenha lá e te use como cobaia para algo que te faça apodrecer. – Monteiro olhou para o relógio. – Vamos lá, vamos lá, junta as tuas coisas depressa, pensas que não tenho mais nada para fazer?!

Demorei quase cinco minutos a arrumar as minhas coisas em algumas malas, depois ele algemou-me e disse-me para o seguir.

Lá fora, encontrei o Guarda Duarte, um pouco mais amável do que o Monteiro – mas não muito. Guiou-me pelos corredores, enquanto Monteiro arrastava as minhas coisas atrás de nós. Fui colocado dentro de uma das carrinhas da prisão, sem uma única abertura, excepto a porta e alguns buracos na parte de trás, e sentei-me num pequeno banco, com o agente Monteiro perto de mim. A viagem durou cerca de uma hora, com Monteiro a encolher os ombros de cada vez que eu tentava quebrar o gelo e meter conversa. E, de repente, o motor da carrinha parou.

Quando a porta se abriu, a súbita explosão de luz feriu os meus olhos sensíveis; O dia não estava claro – havia nuvens a cobrirem o céu – mas eu estava às escuras havia horas. Quando a minha visão regressou, reparei que parecíamos estar no meio do nada, perto de um edifício que parecia uma fábrica, ou algo do género. Os edifícios principais pareciam bastante decrépitos, mas havia guardas junto ao portão e em redor do local, em posições estratégicas.

Os Guardas Duarte e Monteiro levaram-me ao edifício principal. Passámos por um ou dois guardas, que ficaram imóveis, sem sequer nos cumprimentarem enquanto passávamos. Perto da porta principal, estavam duas raparigas chinesas à nossa espera. Pareciam bastante atraentes… parecendo quase duas bonecas de porcelana fofinhas, com o cabelo preto e liso e uma maquilhagem impecável. Uma delas usava um casaco vermelho muito curto de mangas compridas, uma saia vermelha curta e saltos-agulha pretos, enquanto a outra usava um tipo de vestido chinês vermelho tradicional, só que mais curto, com sapatos semelhantes aos da parceira e, aparentemente, uma coleira preta ao pescoço. Esta disse: 

- Obrigada, nós tratamos do resto. 

- Erm, disseram-nos para o entregar pessoalmente à Dra. Yelena Rostovseva… – começou o agente Monteiro. 

- A Doutora está lá dentro, mas está demasiado ocupada para vir aqui pessoalmente. Sou a Mai Chiang, uma das suas assistentes pessoais. – respondeu, com um suave e sexy sotaque chinês – Esta é a Lin Pei, a outra assistente pessoal dela. 

- Vil comigo. – disse a outra rapariga, quase a gaguejar… claramente, o seu português não era tão bom como o da colega. 

 - Mas precisamos que a Dra. Rostovseva assine o termo de libertação… – começou novamente o Guarda Monteiro. 

 - Sim, eu sei. Vou levá-lo para ela e depois devolvo-lho. – respondeu Mai Chiang, tirando-lhe o papel.

E eu e as duas raparigas saímos em direcção ao interior do edifício. Lin segurava-me o braço – e fiquei surpreendido ao sentir o aperto férreo da sua mão, o oposto do que eu esperava de uma rapariga delicada como ela – enquanto Mai já se tinha adiantado, provavelmente para entregar os documentos necessários à Doutora. 

- Então, – perguntei, tentando meter conversa com Lin – como é esta Doutora? 

- Doutola sel óptima pessoa. Gostal dela, como mãe pala mim. – declarou a rapariga. O seu português era claramente muito fraco… mas, em vez disso, tinha uns seios brutais, e o casaco justo que usava mal lhos cobria. O seu rabo também era extremamente provocante. Se não estivesse algemado, provavelmente teria saltado para cima dela ali mesmo…

Então, chegámos a uma enorme porta de metal, com um sensor biométrico na lateral e uma enorme lâmpada vermelha no topo, que estava acesa, com um sinal por cima a dizer "NÃO ENTRE COM A LUZ VERMELHA ACESA". Assim, parámos. 

- Doutola a trabalhal. – Lin disse, num tom monótono. 

- Pois… ouve, o que é que ela me vai fazer? Podes dar-me mais pormenores? – perguntei, um pouco nervoso. Afinal de contas, a situação era um pouco estranha: eu, um criminoso, um violador, submetido a uma qualquer experiência com uma doutora de nome russo, com duas assistentes chinesas que andavam quase nuas… algo ali não batia certo.

- Desculpe, não sabel nada, Doutola explical. – respondeu ela, no mesmo tom monocórdico. De seguida, a luz vermelha apagou-se, mas, antes que Lin pudesse chegar ao sensor biométrico, a porta abriu-se e Mai apareceu, vindo de dentro, ainda com o papel na mão.

- Desculpem, vão ter de esperar mais um pouco… – fechou a porta, e a luz vermelha acendeu novamente – A Dra. Rostovseva ainda está a trabalhar, mas vai terminar o que está a fazer em breve. Entretanto, vou entregar isto aos guardas da prisão – acrescentou Mai, passando por nós e saindo.

Assim, continuámos à espera, até que Mai regressou, anunciando que a carrinha tinha deixado as instalações. Eu estava completamente sozinho e entregue àquelas desconhecidas.

A luz vermelha voltou a apagar-se e, desta vez, continuou assim. Lin passou o dedo por um dos dispositivos biométricos, e a fechadura emitiu um forte estrondo. Ainda a agarrar o meu braço, Lin fez-me passar pela entrada, com Mai ainda atrás de nós. Estávamos num corredor minúsculo, em frente a um conjunto de portas duplas que só se abriam quando a porta de aço, atrás de nós, era fechada e trancada.

Ao passar por estas duas portas, pude finalmente vislumbrar o laboratório. Do outro lado, havia uma mesa, uma caixa transparente, provavelmente feita de acrílico, com ratos de todos os tipos no seu interior, e alguns deles tinham pequenos eléctrodos ligados aos seus órgãos sexuais. Estes eléctrodos estavam ligados a fios, e estes fios a um painel electrónico, acima da mesa. E a mexer nesse painel estava uma mulher. A minha visão estava obstruída pela mesa e pelos ratos, mas vi que ela usava uma bata branca por cima de roupa preta e parecia estar a usar uma espécie de chapéu, ou capuz, ou algo do género… Então, ela olhou para cima, reparou em nós e acenou.

- Ah, vocês chegaram! Excelente! Já vos vou atender – disse a mulher, com alegria na voz, voltando a sua atenção para os ratos.

Esperámos um pouco, as raparigas e eu, até a doutora terminar os seus testes. Então, ela desceu uma escada e aproximou-se de nós. Só então consegui observá-la bem... e perceber que provavelmente tinha caído nas mãos de uma lunática. Por baixo do casaco, usava um conjunto de soutien, corpete, cinto de ligas e cuecas, tudo preto, tudo de cabedal, meias e luvas pretas, de borracha, e saltos altos. E, na cabeça, tinha um hood de couro, ou algo do género, também preto, que lhe prendia o cabelo escuro num rabo-de-cavalo mas não lhe escondia o rosto. Rosto esse de aparência agradável, com olhos escuros e lábios rosados de tamanho médio, num rosto oval. Parecia ter entre 25 e 30 anos. Quando se aproximou de mim, fez uma vénia.

- Dra. Yelena Rostovseva, às suas ordens! Por favor, trate-me por Doutora, ou Doutora Yelena, ou Senhora, algo do género… Não gosto muito de formalidades. Por isso, o senhor é o Sr., erm… – meteu a mão no bolso da bata e tirou o meu termo de dispensa. – Senhor Gil Pereira. Duas acusações de violação com uso de violência, uma de tentativa de violação, cumprindo uma pena de doze anos.

- Sou eu, sim. – respondi, sem emoção na voz.

- Deve estar a perguntar-se o que está aqui a fazer. Estou certa? Dentro de um lugar aparentemente abandonado, com uma louca vestida de cabedal e látex e duas chinesas como assistentes…

Engoli em seco.

- Erm… bem… o pensamento passou-me pela cabeça.

- Bem, tenho estado em contacto com algumas prisões, tentando arranjar alguns reclusos para uma pequena experiência que estou a realizar. Foste um dos reclusos mais promissores que encontrei, e tratei das coisas com o director da tua prisão para que fosses enviado para aqui sob a minha responsabilidade. Quanto ao meu traje… bem, digamos que uma cientista como eu tem o direito de ser um pouco excêntrica.

Depois de toda aquela conversa, fiquei com a impressão de que a senhora Yelena era, na verdade, um bocado louca.

- Diga-me, Doutora… qual é exactamente a sua experiência?

- Bem, posso contar-lhe, mas tem de prometer não fugir depois, ou terei de mandar Lin e Mai aqui atrás de ti. E, para dizer a verdade, nem eu gostaria que eles me perseguissem…

Eu apenas a fitei. Aquela mulher só podia ser um bom bocado louca.

- OK, tenho estado a trabalhar num tratamento para ajudar os criminosos sexuais a abandonar as suas actividades criminosas, fazendo-os perder completamente o interesse naquilo que os excita. No vosso caso, meninas.

- O quê, vais transformar-me num paneleiro? – perguntei, sentindo-me desconfortável.

- Uma das possibilidades poderia ser inverter o género do criminoso sexual, fazendo-o experienciar os mesmos actos e sentimentos que infligiu a outros; no entanto, essa ideia foi rejeitada porque, bem, era demasiado cara. Por isso, tive de arranjar outras alternativas. – ela afastou-se um pouco e colocou a mão num aparelho que eu não reconheci, com uma placa a dizer “Electricidade”.

- Como assim?

- Sim, choques eléctricos. – Yelena sorriu. – Vou ligar o teu coração e colocar alguns eléctrodos na tua virilha, no teu pénis e nos testículos, e recriar condições que te excitariam. Sempre que o teu batimento cardíaco atingir um determinado número de batimentos por minuto, serás electrocutado. Bastante simples, não te parece?

- VOCÊ VAI FAZER O QUÊ??? – gritei. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir.

- O quê? É tudo pelo interesse da Ciência, da sociedade e…

- QUERO LÁ SABER!!! NÃO ME VAI FRITAR O CARALHO!! – virei-me e escapei, escapando por pouco das mãos das chinesas.

Enquanto corria, ouvi a voz de Yelena:

- Ah, está bem, meninas, vão lá busca-lo.

Corri em direcção às portas duplas, que tinham de ser abertas carregando num botão. Como ainda tinha as mãos algemadas atrás das costas, tive de perder uns preciosos segundos a virar-me e a tentar encontrar o botão às cegas… e caí redondo no chão, depois de um pé enfiado num sapato de salto-agulha me ter atingido com enorme violência no queixo. Lin caiu no chão, por cima de mim, depois agarrou-me pelo braço e ajudou-me a levantar, com Mai a agarrar-me o outro braço. Abanei a cabeça, tentando recuperar daquele golpe, e, quando abri os olhos, Yelena já estava ao meu lado, com uma seringa apontada na direcção do meu corpo.

- Oh, Gil, não te cheguei a avisar das minhas assistentes? – e com isto, ela picou-me no pescoço com a agulha, injectando-me o que quer que a seringa contivesse (um qualquer narcótico, imaginei).

- As suas assistentes são m-muito bo-boas… – gaguejei. Aparentemente, aquela coisa agia depressa...

- Obrigado. Foram criadas por mim – vi o seu sorriso de orgulho enquanto eu deslizava em direcção ao chão, inconsciente.


Imediatamente após recuperar a consciência, percebi que não estava no mesmo local onde havia caído. Estava sentado numa cadeira, com as mãos presas com abraçadeiras aos braços e as pernas às pernas da cadeira. Tinha qualquer coisa na boca – uma mordaça de argola, descobri mais tarde – e não conseguia mexer a cabeça: estava presa com força à cadeira, sem saber como. Baixei os olhos o máximo que consegui e vi algo parecido com fios a saírem do meu peito. “Oh, merda… elas fizeram isso.”

Ergui o olhar, para a frente, e reparei num grande ecrã LCD ligado, a uns cinco metros de mim. Sem mais opções, olhei para ele. Aparentemente, estava a exibir um filme qualquer, com uma rapariga a caminhar sozinha pela rua. De repente, dois bandidos surgiram do nada, apontaram-lhe facas e arrastaram-na para um beco. Aí, começaram a despir a pobre rapariga, que chorava, e, um a um, começaram a ter relações sexuais com ela. Não pude deixar de pensar que adoraria estar na posição de um dos rapazes...

Então, senti o primeiro choque. Alguma vez se sentiram como se os vossos órgãos internos estivessem a ser arrancados do vosso corpo com uma pá enferrujada e incandescente? Isso não foi nada comparado com o que senti naquele instante. Acho que o meu grito de dor pôde ser ouvido em todo o distrito! Quase senti os olhos a saltar das órbitas… Aquele choque durou apenas centésimos de segundo, mas pareceu durar uma eternidade.

Quando o choque parou, ouvi uma voz atrás de mim.

- Lin, baixa a voltagem! Não queremos matar a cobaia!

- Sim, doutola! – gritou alguém ao longe.

Vi Yelena a aproximar-se de mim, pegando numa cadeira e sentando-se ao meu lado.

- Gil, peço desculpa pelas condições, mas garanto-lhe que são muito necessárias… – começou ela, quase a pedir desculpa.

Interrompi com um "CAH-RAH!!", que foi o mais próximo que consegui dizer que se assemelhasse a “cabra”.

- Não precisa de ser rude, Gil. Estou a fazer isto para o ajudar a si e a outros como você. Se conseguir curar-se destas tendências, deixará de ser uma ameaça para a sociedade e poderá ser libertado sem problemas quando chegar o término da sua pena..

Então, apareceu outra pessoa ao lado dela. Era Mai.

- Doutora, posso… também posso levar choques? – perguntou, com entusiasmo na voz.

- Mai, querida, estamos a trabalhar. Preciso que te concentres, não que te distraias com os teus prazeres pessoais. Vai ajudar a tua irmã.

- Ah… Sim, Doutora. – Mai virou-se e saiu, triste.

Yelena abanou a cabeça.

- Devia mesmo reprogramar a personalidade daquela rapariga. Muito submissa, muito masoquista.

Ela deve ter visto o meu olhar perplexo, porque logo a seguir soltou uma gargalhada. 

- Ah, não percebe nada do que eu estou a dizer? Bem, tanto Lin Pei como Mai Chiang são robôs. Mais especificamente, androides que criei quando precisei de relaxar do meu doutoramento em genética. São 100% artificiais, sem qualquer parte humana: o cabelo, a pele, os olhos…

Senti que ia passar-me. E, se não tivesse  os meus genitais ligados a um gerador eléctrico, pensaria que tudo isto seria um pesadelo. Androides?! Não podiam ser! Pareciam tão reais, falavam de forma tão real, até a fala tinha falhas, algo que não esperaria encontrar num robot… embora isso explicasse porque é que as duas raparigas tinham corpos quase perfeitos, eram tão bem construídas e tinham tanta força e velocidade, apesar da sua natureza algo frágil…

O segundo choque veio logo a seguir. Não foi tão brutal como o primeiro, mas ainda assim fez-me gritar horrivelmente. Aquela rapariga estava a fritar o meu caralho e os meus colhões!! Consegui gritar algo que me pareceu “filha da puta!”, quando o choque parou.

- Temperamento, temperamento! Estamos a fazer isto pelo seu bem. – declarou Yelena, com um sorriso sincero no rosto. Perguntava-me se aquela rapariga seria algo menos do que uma tirana, uma maníaca sádica, ou tão sem-noção que não conseguia compreender a dor que me estava a infligir. Até então, estava mais inclinado para a opção c).

“Não gostaria disso, depois de sair da prisão, de estar ao ar livre, sem ser uma ameaça para outras raparigas? Sem medo de recair nos seus hábitos criminosos? – continuou ela.

Olhei para ela como se fosse uma espécie de animal estranho.

- Bem, certamente não estou a ajudar na terapia ao distraí-lo. Vejo-o mais tarde. – e com isto, ela levantou-se e saiu do meu ângulo de visão.

Sem mais nada para me manter ocupado, só tinha a TV, com o filme pornográfico ainda ligado. Tentei não olhar, sabendo o que provavelmente aconteceria se visse, mas foi inútil: com a cabeça presa daquela forma, a minha única opção era, de facto, ver a acção.

Por esta altura, no filme, duas raparigas foram arrastadas para uma cave escura, com os braços presos atrás das costas, os olhos vendados e com uma mordaça de argola na boca – como a minha, provavelmente. Estavam rodeadas por seis ou sete rapazes, todos nus, que, a um sinal de um deles, agarraram as raparigas e começaram a ter relações sexuais com elas, comendo-as como uma matilha de lobos devoraria um cordeiro. Observá-las era bastante excitante...

… e, escusado será dizer, fui novamente electrocutado. Quase que sentia os meus colhões a perderem a pele e a ficarem roxos, enquanto sentia a garganta secar, depois dos meus gritos altos e dolorosos. Ainda continuei a ver o filme – que outra opção tinha eu, na verdade? – e tentei relaxar, pensando para mim: “Não gosto disto, não gosto de sexo com violação…”, repetindo-o mentalmente inúmeras vezes.

Então, a imagem escureceu e ouvi passos atrás de mim, aproximando-se do meu braço direito. Os meus olhos viraram-se para lá e vi uma luva de borracha preta a segurar outra seringa.

- Isto é terapia a mais por enquanto. Não quero arriscar danos físicos permanentes; por isso, vou pôr-te a descansar um pouco. – ouvi a voz de Yelena, antes de a agulha me ser espetada no braço e eu ficar inconsciente.


O meu corpo doía por todo o lado quando acordei. Estava deitado numa cama de aço, dentro de um pequeno quarto asséptico, com paredes brancas e uma enorme porta de metal. Os meus braços e pernas estavam livres, e eu usava uma espécie de calções elásticos, que apenas cobriam as minhas partes íntimas. Baixei-o e encarei a minha virilha. Caramba... ela tinha realmente deixado uma marca ali, aquela médica maluca. Os meus órgãos sexuais estavam quase negros depois daquela terapia de choques de antes, e estavam terrivelmente doridos. Parecia que tinha seis ou sete testículos, e todos eles tinham sido fustigados violenta e repetidamente por um taco de basebol.

Ouvi alguém a mexer na porta, antes de esta ser aberta e Mai Chiang entrar, transportando um tabuleiro com comida.

- Aqui está o seu almoço.

Ela virou-se para sair.

- Então, quer dizer que tu és um robot? – perguntei, aproximando-me dela.

Mai encarou-me, com o rosto inexpressivo.

- Sim. A Dra. Yelena criou-me a mim e a Lin para a ajudarmos nas suas experiências.

- E… há alguma coisa extraordinária que consigas fazer?

- Bem, nós sabemos como matar.

Abanei a cabeça, sem acreditar no que ouvia.

- Erm… o quê??

- Sim. Devido a uma falha na nossa programação, algum tempo após a nossa criação, fugimos e tornámo-nos mercenárias, matando pelo preço mais elevado. Num ano, matámos trinta e sete pessoas, até que a Dra. Yelena nos recapturou, desactivou-nos e reprogramou as nossas mentes. Actualmente, ainda temos controlo da nossa mente, mas todos os comandos da Dra. Yelena devem ser obedecidos sem hesitação.

Não pude deixar de sentir um arrepio. Aquelas duas raparigas aparentemente doces e frágeis, afinal eram robots assassinos. E que robots… Yelena havia-as criado com corpos perfeitos: eram tão atraentes que não me importava nada de poder ter relações sexuais com uma delas…

- Desaconselho-o. — declarou a rapariga, com apenas um leve sorriso.

- O quê?

- Fazer sexo comigo. É uma péssima ideia.

- Como raio é que… – estava surpreendido.

- Vi os seus olhos a olharem-me de cima a baixo, tão cheios de luxúria. Sou fiel ao meu amor, Lin Pei.

Ela aproximou-se de mim e mostrou-me a parte de trás da sua coleira, com alguns caracteres chineses gravados.

- Esses caracteres significam ‘Lin Pei’. Eu pertenço-lhe. E, em troca, ela dá-me imenso prazer.

Então, afinal, eram robots assassinas lésbicas? OK, definitivamente, Yelena tinha muitos parafusos fora do sítio. No entanto, as longas e torneadas pernas de Mai, aparecendo nas aberturas do seu curto vestido chinês, estavam realmente a deixar-me louco. E acabei por perder o controlo.

Sim, eu sabia que tinha sido enviado para aquela instituição para me livrar dos meus hábitos de violador, sabia que os meus órgãos sexuais estavam quase dormentes… mas o meu instinto falou mais alto naquele momento. E, assim, as minhas mãos agarraram o corpo de Mai, levantando-lhe a saia com uma mão, enquanto com a outra encostava-a contra a parede. Estava prestes a beijá-la e a baixar os calções, quando um súbito choque eléctrico vindo do meu pescoço me fez cair no chão.

Gemendo de dor, agarrei a garganta e senti algo que ainda não tinha reparado: tinha uma espécie de coleira com dispositivos eléctricos a envolver-me o pescoço. Atrás de mim, ouvi passos de saltos altos.

- O que passal aqui? – ouvi. Era Lin Pei.

- Ele quis-me saltar para cima de mim, meu amor… – Mai esfregou a mão no local onde eu a havia agarrado.

- Eu contal a Doutola. – e, com isto, ela virou-se.

- Não… meu amor, não faças isso. Não foi nada de grave, ele não me ia fazer nada, não pode…

- Tel de contal a Doutola, Mai! – Lin insistiu.

- Por favor… castiga-o, se quiseres, mas, por favor, não o denuncies… sabes o que a Doutora faria se descobrisse…

Lin Pei suspirou.

- Muito bem. Fechal porta. Desapalece.

Mai obedeceu, olhando-me com simpatia, enquanto Lin me agarrava, prendia algo à volta dos meus cotovelos e me tirava os calções, deixando-me de joelhos, nu. Então, ela despiu a roupa e eu fiquei a olhar para o seu corpo nu.

- Tu achal que fazel sexo comigo? – riu-se ela. – Não, não. Eu fazel sexo com tu.

De olhos arregalados, só pude olhar enquanto via, com os meus próprios olhos, a cona de Lin, tão apetitosa e deliciosa, a transformar-se lentamente num caralho grande e grosso.

- Que raio…?!

- Tu, silêncio! Eu fodel tu. 

Aproximou-se de mim, apenas de saltos altos, ajoelhou-se atrás de mim e, depois de me agarrar a cintura com as duas mãos, encostou a cabeça do caralho ao meu cu; depois, empurrou as ancas para a frente, começando a penetrar-me a sangue-frio. Porra, a pila dela era mesmo grande!! Enquanto ela avançava dentro de mim, não pude deixar de gritar de dor.

- Tocales em Mai, pagales o preço – disse a rapariga, ainda no seu tom monocórdico.

Fechei os olhos e tentei pedir a sua misericórdia enquanto ela continuava a violar-me.

- Argh! O-olha, d-desculpa, não pude – yeoh! – não pude evitar, não – ai! – queria violar a tua namorada…

- Quieta! Seles violadol, queleles violal Mai. Plecisales de punição.

Cerrei os dentes e tentei conter as lágrimas enquanto ela continuava a abusar do meu cu.

Depois de ela terminar, Lin Pei soltou os meus braços e saiu da minha cela, batendo a porta de metal atrás de si. Massajei o ânus dorido, pensando na confusão em que estava metido, e vesti os calções. Isto tinha sido um lembrete para controlar os meus impulsos sexuais, para não sofrer uma tortura ainda pior...

A porta voltou a abrir-se e, desta vez, era Yelena. Ainda e sempre de bata, sentou-se na cama ao meu lado, parecendo um pouco perturbada.

- Lin contou-me o que aconteceu

Suspirei. Afinal, Lin Pei sempre me havia denunciado.

- Desculpe, doutora… fui estúpido. – confessei.

- Muito estúpido, Gil. Podia terminar a experiência neste mesmo momento e devolvê-lo à prisão por tocar numa das minhas queridas; contudo, afinal de contas, você ainda está na fase inicial do meu tratamento, por isso os seus instintos primitivos ainda são bastante fortes. Por isso, não o vou mandar de volta para a prisão.

- Obrigada… suponho.

- Mas não permitirei mais deslizes, Gil – comentou ela. – Ou se torna um pouco mais cooperante e o meu tratamento começa a fazer efeito… ou não terei outra opção senão dispensá-lo.

- Eu… eu compreendo. – gaguejei, baixando os olhos.

- Afinal de contas, não posso arriscar a minha investigação numa cobaia que não coopera, certo? Podia arruinar tudo… a minha esperança de mudar violadores, pedófilos e todas essas pessoas perturbadas. – o seu rosto mudou, reflectindo agora um certo grau de tristeza.

Sinceramente, tive pena da miúda. Parecia ser uma pessoa demasiado ingénua, acreditando que poderia mudar a natureza das pessoas daquela forma… era impossível. Além disso, afinal, era bonita, tinha um corpo bonito… se fosse mais nova, talvez pudesse ter acabado por desejá-la.

- Farei o meu melhor, doutora. – acabei por responder.

- É bom que sim.

Levantou-se e saiu da minha cela.


Fui deixado em paz durante o resto do dia, sem qualquer contacto quer com Yelena quer com as duas assistentes. Inclusivamente, quando foi hora de jantar, abriram a porta apenas o suficiente para fazer passar o tabuleiro com a comida, fechando-a à chave logo a seguir. Era quase como se tivesse sido condenado a encarceramento solitário… e, se formos a ver bem, eu até o merecia: para além de ainda não ter conseguido controlar os meus impulsos, ainda havia atacado uma daquelas assistentes esquisitas. Comi sem vontade, apesar de até estar esfomeado: estava metido num belo sarilho.

De manhã, fui acordado pelo som da porta a ser destrancada; de seguida, as duas assistentes entraram e ficaram de cada lado da porta, antecedendo a entrada de Yelena. Trazia na mão um anel de metal com cerca de um palmo de diâmetro.

- Bom dia, Gil. Estive a pensar no nosso trabalho, e decidi arranjar uma forma de controlarmos esses impulsos. – ergueu o tal anel – Isto é uma coleira. Não sei se dá para perceber, mas é uma coleira. Bem sei que o Gil já tem uma, mas esta funciona de maneira diferente. E tem mais potência.

Ela pegou numa chave de formato esquisito e abriu aquela coleira, aproximando-se de mim com a intenção de ma colocar.

- Tenho alguma alternativa, doutora?

- Na realidade, não. Ou isso ou devolvo-o à prisão, mas penso que nenhum de nós o quer. – enquanto falava, ia retirando a coleira que eu tinha originalmente ao redor do meu pescoço e colocando a nova, fechando-a com a tal chave – A partir de agora, esta coleira, para além de substituir a outra que já tinha, vai substituir também aquela maquineta que utilizámos ontem para controlar os seus impulsos. Sempre que se aproximar das minhas meninas com vontade de as atacar, a coleira emitirá um forte choque eléctrico que desativará as suas funções motoras. Sempre que a sua pulsação acelerar, choque eléctrico. Se, por acaso, entrar numa área que não é suposto, choque eléctrico.

- Como se faz aos cães, basicamente?

- Exactamente, Gil! – Yelena bateu palmas com as suas mãos enluvadas de vinil preto – Peço desculpa se o comparo a um animal, mas, se formos honestos, estamos aqui para o tentar curar dos seus impulsos, que são aquilo que nos aproxima precisamente dos animais. O que quero é que seja um homem, não um animal.

Engoli em seco.

- Sim, doutora.

Yelena saiu da cela, sendo seguida pelas suas assistentes; porém, desta vez, elas não fecharam a porta. Imaginei que aquilo fosse um teste, que fosse para ver se eu tentava cruzar a soleira da porta e fugir; por isso deixei-me estar.

Naquele dia e no seguinte, a rotina foi sempre a mesma: de manhã, à tarde e à noite, era colocado à frente de uma televisão em que a única coisa que lá passava eram filmes pornográficos do mesmo género: muitos homens a abusarem de uma mulher, geralmente jovem; e todas as vezes, mas mesmo todas, senti a minha pila agitar-se ao longo do filme – sendo seguida sempre de um choque eléctrico causado pela coleira que trazia ao pescoço. Não tinha qualquer opção de não olhar para a televisão, pois o ecrã era quase gigantesco, e o sistema de som era extremamente envolvente – era uma sala de cinema só para uma pessoa, basicamente. De todas as vezes, sempre que era levado de volta para a cela por qualquer uma daquelas assistentes esquisitas, olhava para Yelena e via o seu olhar triste, como se visse o desmoronar dos seus sonhos. Engolia em seco e prometia a mim mesmo fazer melhor da próxima vez, até porque, se a coisa corresse bem, eu poderia ser libertado mais cedo – afinal penso que a intenção era essa! Só que depois…

No terceiro dia de filmes, procurei fazer um esforço maior para me controlar e notei que que as erecções que tive começaram a ser menos, mesmo comigo envolvido pelos gemidos de medo das rapariguinhas dos filmes e dos gritos de prazer e de triunfo dos homens que abusavam delas. Claro que houve alturas em que não conseguia controlar a pila, sofrendo logo a esperada electrocussão… mas era verdade que esses episódios iam-se tornando cada vez mais raros. Durante dois dias, as coisas foram correndo favoravelmente, e sempre que era devolvido à minha cela, podia ver o rosto de Yelena com um sorriso mais aberto, vendo-a esperançosa com o avançar do seu projecto de cura. Eu sentia-me também esperançoso, pois se aquilo corresse bem, podia ser que eu perdesse de vez o epíteto de violador, regressasse à prisão e me libertassem a seguir em condicional, livre de qualquer instinto ou vontade mais pérfida!

Até que…


Uma semana depois de eu ter entrado naquele estranho laboratório, sentia-me um homem diferente. As sessões de cinema a que era submetido já não me causavam erecções, as androides andavam praticamente seminuas sem que isso me desse ânsias… OK, basicamente estava quase morto da cintura para baixo, mas se esse fosse o preço a pagar pela minha liberdade, que fosse então!

Naquela manhã, Yelena tirara-me a coleira de choques e submeteu-me a mais uma sessão de filmes pornográficos, que não me causaram qualquer espécie de efeito. Mais tarde, ouvi Yelena falar ao telefone ao longe e pareceu-me ouvir a palavra “libertação” lá pelo meio, o que me deixou desde logo eufórico.

Quando fui encaminhado para a minha cela, foi a própria Yelena que me acompanhou, já tendo dispensado as suas estranhas assistentes. Ela tinha um sorriso maior que o meu, por ver que o seu projecto-piloto tinha resultado. Assim que chegámos, ela agradeceu-me:

- Obrigado, Gil, por ter sido uma cobaia tão colaboradora. Desculpe se uso o termo “cobaia”… talvez devesse ter-lhe chamado “paciente”. Graças a si, o meu programa pode ser aplicado a toda uma multidão de pessoas que, depois da terapia, podem ser devolvidos à sociedade livres dos seus instintos básicos e primários da violação. Devo-lhe imenso.

- Bem… obrigado, doutora. – apenas pude responder.

E ela abraçou-me. Aquele corpo delicado, envolto numa bata branca, envolveu-se no meu num abraço sentido e cheio de reconhecimento; o meu nariz foi inundado pelo seu perfume…

Não consigo explicar como aconteceu – mas aconteceu: apertei-a entre os meus braços e beijei-a cheia de paixão, ao mesmo tempo que sentia a pila novamente tesa e com vontades… Yelena tentou fugir, mas eu era mais forte e mantive-a bem segura: a minha mão agarrou-lhe no cabelo e obriguei-a a ajoelhar-se à minha frente, enquanto com as duas mãos eu sustinha-lhe a cabeça quieta ao mesmo tempo que empurrava a cintura para a frente, encostando-lhe a pila à boca.

“Borrei esta merda toda…” lembro-me de ter pensado “Hah, agora que já está, vou até ao fim, qual é o pior que ela me pode fazer?”

Yelena tentou gritar e tentou impedir-me de lhe meter a pila na boca… e não conseguiu nenhuma delas: assim que abriu os lábios, tentando falar, não perdi tempo e fi-la engolir o meu caralho bem dilatado. Era altura de ver se aquela boquinha deliciosa sabia fazer uma mamada como devia ser… Sempre com a mão direita a agarrar-lhe no cabelo, fi-la chupar-me a pila à minha vontade, trazendo-me à beirinha do orgasmo. Todo eu era instinto, todo eu era impulso: era quase como se todos aqueles dias de repressão tivessem acumulado e eu precisasse de os aliviar – e Yelena era agora a minha “cobaia”, como ela me havia chamado.

Naquela altura tirei-lhe a pila da boca e atirei-a sem cerimónias para cima do catre que, durante aquela semana, me havia servido de cama. Ela ficou deitada de barriga para cima e eu deitei-me em cima das pernas dela, mantendo-a segura contra a cama e impedindo-a de se levantar. Rasguei-lhe a bata e vi que ela tinha, por baixo, um fato de borracha que lhe cobria o corpo por completo. De uma forma voraz, procurei o fecho que aquele fato deveria ter entre as pernas (ela teria de fazer necessidades, era humana, claro!), encontrei-o e puxei-o, pronto a estimular-lhe a rata para logo a seguir a penetrar e vir-me dentro dela…

… e dei por mim a olhar para um caralho – flácido, pequeno, quase uma amostra de órgão… mas um caralho de qualquer maneira!

- Mas que merda é esta?! – gritei, espantado e detendo-me nas minhas intenções.

Essa minha hesitação foi suficiente para Yelena reagir… e como ela reagiu! A sua mão direita saiu disparada rumo à minha cara, embatendo com força no meu nariz: senti logo uma dor intensíssima e levei as mãos à cara, sentindo o sangue escorrer livremente pela cara abaixo. Ouvi-a gritar algo num idioma estrangeiro – russo, talvez – e num ápice as suas assistentes estavam cada uma de nosso lado. Senti as mãos uma, como tenazes, a agarrarem-me sem cerimónia e a tirarem-me de cima de Yelena, mantendo-me imobilizado contra a cama, enquanto a outra ajudava aquela mulher… homem… ser… a erguer-se. Afinal de contas o que raio era Yelena? Uma “mulher de pila”?!

- Agarrem-no bem. – ouvi a voz de Yelena, uma voz que nada tinha a ver com o que eu estivera habituado a ouvir nos dias anteriores: era uma voz cheia de ódio, de raiva… – Já que o nosso convidado quer sexo, é sexo que ele vai ter. Mas à minha maneira.

- Por favor… o meu nariz… – gemi, tentando de alguma maneira apelar à sua clemência, apesar de saber que eu era merecedor dela.

- O teu nariz logo se cura. Não eras tu que querias sexo? Então não tenho problemas nenhuns em to dar.

Daquela posição, não me havia apercebido que Yelena já se tinha levantado e que tanto Lin como Mai já estavam a agarrar-me as duas com força, mantendo-me perfeitamente imóvel e à espera… de quê?

- Foi isto que te espantou? – continuou Yelena, enquanto pude ver que ela agarrava no seu órgão sexual masculino e começava a masturbá-lo – Sim, é verdade. Sou uma mulher que nasceu com algumas deformações genéticas: tenho seios salientes e uma cintura apertada, uma silhueta basicamente feminina, mas depois tenho uma maçã-de-Adão e um caralho. Pode não ser um caralho como o teu, que tem esse tamanhão todo… mas é um caralho que ainda consegue entrar em buracos. Permite-me fazer uma demonstração.

As mãos das assistentes, sempre com uma força inumana, colocaram-me de maneira a que eu ficasse com o corpo em cima do catre e os joelhos no chão frio; só quando senti as mãos envoltas em borracha de Yelena nos meus quadris é que percebi o que me ia acontecer…

- Não! – gritei, antes de me meterem algo na boca.

- Calal, tu. Tu atacal Doutola, tu merecel sel castigado. – ouvi a voz de Lin Pei.

- Não me recordo de teres tido grande piedade de mim quando me forçaste o teu caralho na minha boca e me tentaste violar, há bocadinho… – a voz de Yelena era cortante, sibilina: parecia uma pessoa completamente diferente da Yelena prazenteira e sonhadora dos dias anteriores…

Pouco depois, nada pude fazer quando a pila de Yelena, envolta em látex e embebida em vaselina, me foi encostada ao meu esfíncter anal e entrou de uma só vez, causando-me dores horríveis – OK, na prisão haviam abusado de mim diversas vezes, até com objectos, contudo, não sei porquê, aquela penetração doeu-me imenso – mas isso não deteve Yelena: uma e outra vez, uma e outra vez, o seu caralho entrou e saiu de mim, do meu rabo, fazendo-me gemer sempre que ela entrava por completo em mim. E com cada inserção, com cada viagem, senti que Yelena se ia libertando mais, ia acelerando mais as suas “viagens”, as suas penetrações. Nunca parei de gemer, mas os meus gemidos parece que davam mais prazer àquele ser, àquela pessoa que me estava a foder o rabo sem qualquer tipo de piedade, como se aquele fosse um castigo justo pelo que eu havia tentado (e começado a) fazer com Yelena… escusado será dizer que não senti nenhum prazer com o meu enrabamento (apesar de, por vezes, ter sentido a minha pila a dar alguns pulos…).

Subitamente, Yelena começou a gemer: imaginei que tivesse atingido o orgasmo, vindo-se para dentro do preservativo (pois deveria ser essa a cobertura de látex que eu sentia a envolver-lhe a pila). Mesmo assim ela deixou-se ficar dentro de mim, parecendo que queria espremer todo o “sumo” que tivesse produzido e armazenado nos testículos. Lin e Mai iam falando entre si, mas devia ser em chinês, uma vez que não percebi nada.

Depois de alguns minutos de imobilidade, em que até pensei que ela se tivesse deixado dormir, Yelena ergueu-se e retirou a sua pila, agora já bem flácida, do meu rabo. As suas assistentes, contudo, mantiveram-me seguro na mesma posição. Ouvi a voz de Yelena, mas pareceu-me que estava a falar no mesmo idioma que Lin e Mai. Logo depois, senti os meus pulsos serem atirados para trás das costas e presos com uma abraçadeira de plástico.

- Como é óbvio, a experiência foi um fracasso: apesar de todas as terapias, de todas as tentativas, o paciente continua a demonstrar uma personalidade agressiva e propensa à violação à mais leve oportunidade. – Yelena falava de forma impessoal, como se estivesse a falar para um gravador – Assim sendo, nada mais me resta senão colocar um ponto final nesta experiência e devolver o prisioneiro ao local de origem… com algumas modificações.

Voltei a sentir uma agulha no pescoço: poucos segundos depois, perdi a consciência.


Quando acordei, estava num local completamente diferente: do que conseguia ver, parecia uma sala de operações, ou um espaço médico, no mínimo. Estava sentado no que parecia ser uma cadeira de ginecologia, uma vez que tinha as pernas abertas, mas tinha uma cortina que, a partir da zona da cintura, não me deixava ver nada. Não conseguia falar pois tinha algo a manter-me a boca aberta, e tinha uma máscara presa à zona do nariz e da boca, que me fazia respirar um ar com cheiro esquisito; não conseguia mexer as mãos pois estavam presas a uns ferros por baixo da cadeira; e não conseguia mexer as pernas uma vez que sentia-as presas aos suportes que as cadeiras de ginecologia costumam ter.

À minha volta, via três vultos, mas apercebi-me que devia haver algo de errado com a minha visão, uma vez que não as conseguia focar bem. Só pelas vozes pude identificar Yelena, Lin Pei e Mai Chiang. Elas continuavam a falar entre si naquele idioma que eu não percebia mas que deveria ser o chinês. Senti-as mexer no meu baixo-ventre, mas de uma maneira totalmente anti-natural: era como se estivessem a passar coisas afiadas por aquela zona do meu corpo, mas graças a alguma anestesia local eu não sentia as dores causadas pelo que elas me estavam a fazer. Por diversas vezes eu tentei mexer-me, falar, emitir algum ruído que mostrasse que estava vivo, sem nunca o conseguir – e quando consegui emitir uma espécie de ronco, fui ignorado pelas três mulheres (ou pelos três seres com forma de mulher, se preferirmos). Eu comecei a ficar em pânico, sentindo que elas me mexiam na zona da pila, sentindo cortes, sentindo agulhas, sentindo linhas a serem passadas – sem qualquer ponta de dor, é um facto, mas sentindo-as de qualquer maneira – sem conseguir perceber o que estava a acontecer. Depois lembrei-me da frase de Yelena, de me devolverem “com algumas modificações”… afinal de contas qual era a ideia? Vingança?

Contudo não pude perguntar nada, uma vez que não me conseguia expressar nem sequer mexer, pelo que apenas me pude limitar a sentir aquelas ferramentas todas a serem utilizadas no meu corpo, enquanto as três falavam naquele idioma que não me dizia nada; de vez em quando uma ria-se, com as outras a acompanharem-lhe as gargalhadas.

Passaram horas naquele preparo, até que senti novamente a agulha no pescoço, mergulhando-me novamente num sono profundo.


- Boa tarde, Gil. Espero que tenha dormido bem.

A dor de cabeça que eu sentia era absolutamente mortal; ainda assim abri os olhos e tentei ver se me conseguia mexer: e daquela vez tinha os membros livres e a boca a funcionar. Vi que estava no mesmo local onde os guardas me haviam entregue a Yelena; e vi que já vestia o macacão da prisão.

- Boa… boa tarde, doutora.

A cientista olhava-me cara de poucos amigos: duvidei da sinceridade pela preocupação com o meu sono.

- A carrinha celular que o vai voltar a levar para a prisão não deve tardar. – declarou ela, naquele tom de voz sibilino que a havia caracterizado desde a minha tentativa de ataque.

- Compreendo. Doutora… Yelena… eu…

Ela levantou uma mão para me remeter ao silêncio.

- Gil, de onde eu venho, nós costumamos dizer que “as acções valem mais do que as palavras”; e as suas acções mostraram-me muito. Mostraram-me que é um erro continuar com este programa, que, por muito que tentemos reeducar alguém, os seus instintos permanecerão lá sempre. Adormecidos, é certo, mas ficam lá; e com o gatilho certo… voltamos à estaca zero. Por isso é inútil continuarmos com isto. É inútil eu continuar com isto. Tenho alguns outros projectos para desenvolver, vou antes avançar com eles.

Engoli em seco. Ninguém gosta de ser confrontado com as suas falhas, e ser responsável pelo final de um projecto que podia ser tão importante…

- Yelena… – voltei a tentar começar, mas ela deteve-me com um gesto da sua mão enluvada.

- Gil, apenas há mais uma coisa que lhe quero dizer, depois não quero voltar a saber de si ou do que lhe acontece: disse que o ia devolver à prisão de onde veio com algumas modificações. Digamos que é uma “prenda” que merece pelo que tentou fazer comigo. Eu dei-lhe uma coisa – mas também lhe tirei uma coisa. Melhor dizendo, eu fiz uma troca no seu corpo. E, se eu lhe puder dar um conselho… comece a habituar-se a mijar sentado.

- Como assim? – perguntei. Teria eu ouvido bem?

Fomos interrompidos por uma chamada no telemóvel de Yelena, que atendeu e apenas disse “OK”.

- Adeus, Gil. Espero nunca mais voltar a vê-lo… e espero que os seus colegas na prisão saibam apreciar o seu modo atributo.

- Que “novo atributo”?! – perguntei, mas Yelena já tinha virado as costas e desaparecido por uma porta. Logo a seguir voltei a ver as caras familiares dos guardas Monteiro e Duarte.

- Bom dia, doente. Então, para variar fizeste merda, hein? – começou logo o Guarda Monteiro, com cara de gozo.

- Podemos… podemos ir embora, por favor?

- Claro.

Enquanto o Guarda Duarte me colocava as algemas ao redor dos pulsos e tornozelos, senti subitamente uma mão apalpar-me o baixo-ventre.

- Hey! Que estão a fazer?! – reclamei.

- Oh, nada, nada, estava a reparar numa coisa que aquela médica maluca nos disse… e que decerto vai alegrar muitos dos teus colegas lá na cadeia. Uma rata funcional, hein? Se calhar até vou ser o primeiro a experimentar…

- Uma… uma quê? – gaguejei enquanto era levado para o exterior e para o carro celular.

- Oh. Pensei que te tivessem dito. És o primeiro homem de pito do país. Basicamente cortaram-te o caralho é enxertaram-te uma cona. Se isso não parar as tuas tendências abusadoras… – e soltou uma gargalhada – Bom, diria é que as tendências abusadoras vão é passar a ser usadas em ti!

Aproveitando alguma folga das algemas, apalpei o espaço entre as pernas; mas em vez do meu pénis e testículos, apenas encontrei um vazio e, após alguma exploração, uma racha que não existia ali… Era verdade! Yelena havia-me trocado a minha pila por uma rata e havia-o dito aos guardas!

O grito e choro de humilhação que soltei diluiu-se contra as gargalhadas do Guarda Monteiro, assim que a carrinha começou a circular de regresso à prisão. Se até ali os meus dias haviam sido difíceis, a partir daquela data então o meu inferno seria ainda maior…


PS: Passou um mês desde que voltei para a prisão e a minha vida passou a ser uma verdadeira desgraça. Os guardas fizeram o favor de falar da minha “modificação” a meia-dúzia de presos, essa meia-dúzia passou a notícia aos restantes… e já se pode imaginar: quatrocentos ou quinhentos gajos fechados num espaço daqueles, sem verem uma gaja faz meses ou anos, e depois ficam a saber que há um gajo que vive no mesmo espaço com eles que tem uma cona em vez de pila… Só para se ver a dimensão da coisa, ganhei a alcunha de “Bicicleta da Aldeia” – toda a gente já deu uma voltinha em mim. E isto quando não tenho dois ou três para satisfazer ao mesmo tempo…

Tudo por causa daquela doutora e da sua “terapia de cura”. Maldita seja ela para todo o sempre!

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