segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A cadela (parte 4)


Quando chegámos a casa, fui guiada para o jardim, sendo presa do outro lado da casinha de Roscoe, perto de uma torneira de água. Brian atarraxou-lhe uma mangueira com uma pistola na ponta e abriu-a, apontando-a para mim.
- Altura de te limpares, porca! – e carregou no gatilho da pistola.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A cadela (parte 3)



Durante algumas horas fui deixada sozinha, sem que ninguém do casal aparecesse ao pé de mim. Durante esse tempo nada mais pude fazer senão estar deitada no chão a olhar para ontem, a pensar na minha vida, e ir até às bacias de metal comer ou beber qualquer coisa quanto tive essa vontade.
Não sabia o que me ia acontecer. Eu em casa havia dito ao Carlos que ia estar fora uns dias mas não lhe dissera quantos (também porque eu não o saberia dizer), por isso iria passar-se algum tempo até ele achar alguma coisa estranha. Tanto Brian como Tommy não pareciam ter intenções de me soltar e eu comecei a achar que eles queriam que eu ficasse ali com eles naquele papel de boneca insuflável, sendo usada, abusada e humilhada por qualquer um deles. O plug já me incomodava um bocado e a dor que eu ia sentindo nos braços e nas mãos não se comparava à que assolava os meus joelhos.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A cadela (parte 2)


Durante o tempo que estive sozinha, a minha cabeça não parou de funcionar, tentando assimilar o que me havia acontecido durante aquele dia.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A cadela (parte 1)

Quando escrevi a minha autobiografia, há uns anos atrás, fui o mais honesta possível e mencionei tudo o que achei relevante que se soubesse sobre a minha vida, especialmente tendo em conta que a escrevi para o meu marido e que achava que ele devia saber tudo sobre a minha história.
Todavia, houve algumas coisas que não incluí lá – por vergonha, por querer falar nisso pessoalmente com ele… qualquer coisa assim. O fim-de-semana que aqui vou relatar é uma dessas coisas, dois dias que poderiam ter resultado num futuro bem diferente para mim…

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A aluna

(história anterior)

Não julguem pelo meu silêncio que eu tenho estado quieta com os meus meninos; todavia, o rapazito que está encarregue de escrever as nossas aventuras tem-se desleixado com a sua tarefa – se calhar tenho de o recrutar para o meu harém e metê-lo logo a chupar o Miguel e o Vasquinho…
Como já referi, o Vasco é o meu menino preferido: já o testei ao máximo e sei que ele, por mim, é capaz de tudo (e um dia tenho de comprovar isso mesmo); todavia, isso não significa que eu desprezo o Miguel e a Rita, nada disso. Aliás, a última vez que me apeteceu brincar com um dos meus meninos foi o fétichista das botas a ser requisitado…

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A aposta (parte 2)

continuação...

Fomos a um bar na zona dos Foros de Amora que mais parecia uma quinta de casamentos, de tanto espaço que tinha no exterior para estacionamento – e, de facto, tinham imensos veículos lá parqueados. O nosso grupo veio em dois carros, tendo eu ido no banco traseiro de um deles – nenhuma delas me deixou ir a conduzir, provavelmente com medo de eu fugir – e ainda éramos seis pessoas.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A dama de espadas

(história anterior)

Este talvez seja o último texto que vou escrever. A minha vida deu uma curva para pior e transformou-se num Inferno muito maior que aquele em que eu já me encontrava. A minha Dona, Lady Katarinne, traiu-me, tratou-me como um objecto desprezado e condenou-me a… bom, vocês verão.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A aposta (parte 1)

(história anterior)

- Estás a ver? – regozijei-me assim que entrámos em casa – Estavas tu cheia de medo deles… A primeira já cá mora!
- OK, OK, amor, tinhas razão. – Ana suspirou, apesar de também estar feliz – Mas estava à espera de mais dificuldades. E continuo a dizer que o arranque do campeonato vai ser durinho.
- Não digo o contrário, atenção! Mas eu tenho confiança na rapaziada que cá temos este ano vai dar para as encomendas e para mais uma vitória.
A minha princesa parou no meio da sala, ficando com um sorriso malandro.
- Quanta confiança tens tu? – perguntou.
- Como assim? – fiz uma pausa – Queres fazer uma aposta?

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Consolar a viúva

Marília meteu as últimas coisas dentro da caixa de plástico, tapou-a e olhou para o quarto que agora se encontrava vazio. Durante alguns anos, aquele havia sido o quarto das ferramentas de Paulo, o seu marido. Mas Paulo havia desaparecido meses antes sem deixar rasto, uma manhã saíra para trabalhar e nunca mais ninguém o havia visto. Cansada de esperar, especialmente depois de terem surgido movimentações nos seus cartões de crédito do outro lado do país e de ter aparecido o rumor de que o seu marido havia sido avistado atracado a uma beldade de fartas curvas bem longe dali, Marília optou por se antecipar à confirmação oficial. Passou a vestir-se de luto carregado e tratou de arrumar as coisas que haviam pertencido a Paulo, com a intenção de as dar, vender ou deitar fora.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Recepção de boas vindas (parte 2)

(continuação...)

A Enfermeira-Chefe N empurrou a cadeira de rodas por um corredor comprido, cheio de portas de um lado e do outro, todas elas fechadas à chave mas de onde, de trás de algumas, se podia ouvir um gemido ou um choro. À medida que avançava ia olhando para elas, escolhendo qual dos pacientes iria utilizar em Catarina; acabou por se deter à frente de uma porta igual às outras, meteu a chave na fechadura e abriu-os, empurrando a cadeira de rodas e a sua cativa.