quinta-feira, 24 de abril de 2014

Traída (parte 1)

Olhei em volta. Segundo as instruções de Salima, aquele era o local que ela me havia falado, mas apenas parecia um edifício abandonado, de paredes grafitadas, vidros partidos, tão abandonado e decrépito como a zona onde eu estava… voltei a confirmar o endereço que ela me havia dado: estava correcto. Estava no sítio certo.
Encolhendo os ombros, encaminhei-me para a entrada principal do edifício. Aquilo estava tudo cheio de cacos no chão, cascalho e sei lá mais o quê… aquilo realmente parecia abandonado.

 
“Ela enganou-me” pensei “Isto não me parece nenhuma clínica…”
- Sim? – fui interrompida por uma voz, aparentemente vinda de nenhures. Fui caminhando em frente, tropeçando nos escombros e vi um altifalante na parede, coberto de tinta preta.
- Uhh, peço desculpa… Eu acho que estou perdida.
- Sim? – voltou a repetir a mesma voz.
- Erm, bem… uma amiga minha deu-me este endereço… para uma consulta numa, erm… clínica de sexo…
Subitamente ouvi um barulho perto de mim, quando uma porção da parede se abriu, revelando uma espécie de cubículo metálico – um elevador.
- Faça favor de entrar no elevador.
“Então, isto sempre não está abandonado…” pensei enquanto fazia o que me diziam, entrando naquele elevador e vendo as portas fecharem-se à minha passagem. O ascensor parecia moderno – parecia ser dos modelos mais recentes. Andava à procura dos botões quando ele começou a subir automaticamente, parando logo no primeiro andar.
Quando saí, verifiquei que estava numa recepção, exactamente como se estivesse num hospital a sério. Uma mulher de cabelo loiro estava sentada atrás de um balcão, olhando para o computador.
- Boa tarde. – cumprimentou-me ela. Aparentemente, era ela a voz do altifalante.
- Olá, esta é a…
- … clínica de sexo? Exactamente.
- Erm… como é que isto funciona? Nunca estive num espaço destes…
Ela aparentemente ia escrevendo algo no computador enquanto eu falava; quando acabou, voltou a olhar para mim.
- É bastante simples, realmente. Marcamos uma consulta com uma das nossas doutoras, explica-lhe o seu problema, depois ela encarrega uma das enfermeiras de ver o que pode fazer por si, e é isso.
- Então… quando posso ver a doutora? – perguntei.
- Imediatamente. Como deve calcular, não temos muita gente a procurar os nossos serviços… bom, sendo a sua primeira visita, vou precisar dos seus dados para a sua ficha.
Dei-lhos, e, cinco minutos depois, estava a ir por um corredor cheio de portas à esquerda e à direita, indo mesmo até ao final e a bater na última porta, enorme e de madeira.
- Entre! – ouviu-se outra voz feminina.
Entrei naquela divisão, deparando-me com um consultório médico absolutamente normal, com uma cama com encostos para as pernas, uma secretária… e uma mulher de cabelo escuro, atrás da mesma. Ela tinha o seu longo cabelo preso numa espécie de carrapito, tinha maquilhagem algo escura e vestia uma bata branca normalíssima.
- Por favor, Vanessa, sente-se. – ela fez-me um gesto com a mão (coberta por uma luva de látex) – na direcção de uma cadeira do meu lado da secretária.
- Obrigado, doutora.
- Doutora Rebeca, ao seu serviço. – ela sorriu – Então, Vanessa, o que a traz por aqui? Por favor, fale sem constrangimentos, nós estamos aqui para a ajudar.
- Bem… – lambi os lábios, sem saber bem por onde começar – Eu e o meu namorado estamos juntos há mais de dois meses, e só agora começámos a pensar em passar para o nível seguinte. Há algumas noites, ele levou-me de carro até um sítio sossegado e começámo-nos a beijar… ele deu-me prazer oral, e eu fiz-lhe o mesmo, e reparei que ele tem um órgão avantajado, e se calhar foi por isso que, quando nos começámos a preparar para fazer amor… não sei, doutora, entrei em pânico, a ideia de o ter dentro de mim, todo dentro de mim, com aquele órgão grande que ele tem… aterrorizou-me. Não sei, também acho que tenho uma vagina pequenina, e achei que ele ia magoar-me imenso… não sei se deu para reparar, mas ainda sou virgem.
Enquanto eu ia discursando, a Doutora Rebeca ia escrevendo algo no computador. Quando acabei, ela voltou a olhar para mim.
- E porque acha que entrou em pânico, Vanessa? Alguma vez teve problemas no passado? Abusos, alguma coisa?
- Não, nada, Doutora. – respondi – Apenas acho que tive medo de não conseguir ser larga o suficiente para o Jaime…
- Estou a ver, estou a ver. Creio que entendo o seu problema. E creio também que sei a forma exacta de o solucionarmos. – ela levantou-se da secretária e fez-me um gesto para a imitar; subitamente, deteve-se – Apenas… uma pergunta, por curiosidade, se não se importar. Quem nos recomendou à senhora?
- Bom, uma… uma amiga minha. – gaguejei, apanhada de surpresa pela pergunta – Ela contou-me que também teve problemas no passado, que veio cá e resolveu o que tinha a resolver.
- Estou a ver. Posso só perguntar o nome dessa amiga? É por… nada de importante, de facto, apenas para tentar ver se me recordo do caso dela.
Olhei para ela.
- Salima Bhagat. Uma rapariga assim indiana…
- Ah, sim, já sei. Por favor, venha comigo, vamos ver se tratamos de si.
Ela conduziu-me de regresso ao corredor, abrindo uma porta e fazendo-me gestos para entrar.
- Por favor, mude de roupas aqui. – declarou ela, com um sorriso gentil.
Lá dentro, em vez das batas normais que eu estava à espera, reparei que havia inúmeras peças de látex para vestir. Olhei para elas, sem saber que pensar.
- O látex é mais asséptico que as batas de tecido normais. – a doutora explicou – Afinal de contas, nós não podemos permitir que os nossos pacientes apanhem infecções de qualquer espécie aqui… instituímos nas normas que todos os nossos pacientes devem envergar látex no corpo todo, como medida de higiene. Se tiver dificuldade em vestir alguma das peças, há aí uma garrafinha de óleo que pode utilizar para o efeito. – e, dito isto, ela fechou a porta, deixando-me sozinha.
Lentamente, acenei em concordância, afastando da mente as minhas possíveis dúvidas. Se tudo aquilo se devia a uma questão de higiene, , tudo bem, apesar de considerar aquilo algo estranho… agarrei um par de calças – ou lá como aquilo se chamasse – de látex, depois outro, e outro, reparando que todos eles tinham um buraco na zona do meu baixo-ventre. Encolhi os ombros, despindo as minhas calças e tirando as minhas sandálias de salto alto. Tentei vestir aquela peça de látex, mas acabei por ter de ir buscar a tal garrafinha de óleo que a doutora havia referido: massajei algum do líquido nas pernas e a peça de látex entrou muito mais facilmente.
Sentindo algum fresco nas minhas partes baixas, tendo a minha vulva e rabo completamente expostos, olhei em volta, encontrando uma espécie de “camisola” com mangas de látex, obviamente, e um par de luvas – se elas estavam ali e falavam em “envergar látex no corpo todo”, achei que devia de o fazer. A blusa revelava os meus seios, e eu confesso que comecei a sentir um ligeiro desconforto em relação à situação… sem pensar, acabei por calçar novamente as minhas sandálias e saí daquele vestiário, encontrando a doutora lá fora, à minha espera.
- Uh, doutora… tem a certeza que isto é procedimento habitual? – perguntei, relutante.
- Claro que sim, Vanessa. O buraco na zona do baixo-ventre permite à enfermeira acesso às suas partes baixas sem ser preciso despi-la. Relaxe, não nem nada com que se preocupar. – e deu-me uma palmada amigável no ombro. Todavia, não me senti tão reassegurada como ela pretendia.
Ela conduziu-me até outra porta, abrindo-a e deixando-me entrar para a nova divisão.
- Aguarde aqui só um pouco, enquanto entrego o seu caso a uma enfermeira; ela já cá vem ter consigo. – e, dito isto, ela deixou-me, fechando a porta.
Senti um arrepio pela espinha enquanto me encaminhava na direcção da cama. Teria a Salima realmente a certeza que aquele sítio me poderia ajudar? Sentei-me na cama, com um sentimento bastante forte de que algo estava errado. Aquele quarto não tinha qualquer janela apesar de, do lado exterior, haver janelas à farta, a maior parte escaqueirada… e, para além do mais, eu estava num edifício aparentemente abandonado, bolas! Toda a situação cheirava a esturro… e eu, feita parva, havia caído que nem um patinho. Só que eu havia-me apoiado na opinião da Salima, e ela havia-me falado maravilhas daquele sítio… e ela não tinha por costume mentir-me.
Dei uma vista de olhos, tentando acalmar-me. Todavia, quando reparei nas correias e algemas que estavam penduradas na cama onde estava sentada, inclusivamente nos apoios de pernas, o meu coração começou a bater incessantemente. Dei um salto e corri para a porta, tentando sair dali… mas a mesma estava trancada! Em pânico, olhei em redor e só então reparei nas quatro câmaras que estavam no tecto, apontadas para a cama…
A porta abriu-se de súbito e uma nova personagem apareceu no quarto. E eu não pude deixar de ficar a olhar para ela. A recém-chegada era alta e estava – como não poderia deixar de ser – coberta totalmente por látex. Por debaixo de uma bata de borracha, ela tinha um catsuit completo, que até lhe cobria a cabeça, um soutien, conto de ligas e tanga sobre o mesmo, com meias incluídas – tudo de látex transparente. Tinha nas mãos umas luvas curtas, pretas, enquanto, em volta do seu peito, ela envergava um corpete de borracha, preto; para além disso, ela trazia botas transparentes, pelo joelho. Não me era possível ver a cor do seu cabelo devido a um hood de borracha que ela envergava por debaixo do do catsuit.
Fiquei paralisada pela sua aparição, não reagindo assim que ela me agarrou o pulso com uma força descomunal; apesar de me debater, ela não teve dificuldades em atirar-me para cima da cama.
- Quem… quem é você? – gritei.
Ela limitou-se a grunhir, atirando-se para cima de mim e tentando submeter-me e prender as correias e algemas nos meus pulsos, tornozelos e corpo. Infelizmente, e apesar dos meus esforços, ela conseguiu. Quando ela saiu de cima de mim, eu debati-me, tentando libertar-me das minhas amarras, mas em vão.
- Porque me está a fazer isto? Quem é você? – voltei a gritar.
- A tua Enfermeira, quem mais haveria de ser? – ouvi uma voz familiar. A Doutora Rebeca estava encostada contra a parede… e ela havia mudado de roupas: em vez da normalíssima bata branca, ela agora envergava um vestido transparente de borracha, com um neck corset preto à volta do pescoço e um corpete semelhante em redor da cintura. Um par de luvas compridas cobria-lhe os braços, enquanto ela tinha também meias de látex, transparentes, e sandálias de plataforma brancas.
- O que significa isto?! – eu só gritava, amedrontada, a tremer… em pânico.
- O que queres dizer, Vanessa? – a doutora respondeu, ainda a sorrir – É parte da tua terapia, querida.
- Eu não acredito!!
A doutora deu uma gargalhada.
- OK, pronto, estou a mentir. Isto não é nenhuma clínica de sexo: é, na realidade, um estabelecimento de conversão de escravas sexuais.
- O quê?!
- E, tendo em conta que nos vieste aqui cair nas mãos… mais vale a pena convertermos-te também.
Voltei a debater-me – sem sucesso.
- Nãããão! Por favor, Doutora Rebeca, não pode fazer isto…
Ela voltou a rir-se, aproximando-se da cama onde eu estava. A outra mulher estava quieta, olhando para a sua colega.
- Oh, sua tontinha… ainda não percebeste que não existe nenhuma “Doutora Rebeca”? – por aquela altura ela estava já encostada a mim, com a sua mão enluvada a agarrar-me no cabelo e a puxá-lo – Eu sou a Enfermeira-Chefe N, a dona deste sítio, mas, se tiveres amor à pele, vais chamar-me “Senhora”. E esta aqui, – aproximou-se da colega – é a Enfermeira R. Ela é um tudo-nada calada, mas ela tem a sua própria forma de se fazer entender. E eu, se fosse a ti, odiaria fazer algo que a fizesse ficar chateada ou desrespeitá-la.
O meu queixo tremia ao olhar para aquelas duas mulheres, que tinham os seus olhos fixos em mim como se eu fosse uma iguaria deliciosa. Os da Doutora Rebeca – aliás, Enfermeira-Chefe N – estavam cheios de desejo: apenas poderia imaginar os pensamentos impuros que ela estava a ter comigo. Os da Enfermeira R, todavia, eram duros, impiedosos: se ela seria a pessoa que iria estar a tratar de mim, podia terá certeza que eu iria penar muito…
- Bom, Vanessa, é altura de vos deixar às duas a sós. – continuou a Enfermeira-Chefe N. Tenho outros assuntos para tratar, outras pessoas para ver, outros escravos para controlar; portanto, vou-vos deixar, e ver se a Enfermeira R consegue tratar do teu… problema. Daqui a bocado passo por aqui para ver como estão as coisas. – e, dito isto, deu uma risadinha trocista e saiu.

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