segunda-feira, 21 de março de 2016

Nas mãos das SS (parte 1)

John Mullin, oficial de voo do esquadrão nº 540 da britânica Royal Air Force1, estava numa situação bastante complicada. Ele havia sido escolhido para uma operação de reconhecimento pela zona noroeste da Alemanha nazi com vista ao possível lançamento de uma missão mais pesada, de bombardeamento; o objectivo era tentar abrir um espaço para as forças aliadas tentarem entrar em território inimigo. Já nessa altura John havia sentido um nó na garganta, por compreender que aquela era basicamente uma missão suicida: apesar de ele pilotar um dos rapidíssimos aviões “Mosquito” da RAF, aquela zona estava minada de aviões da Luftwaffe2 e navios da Kriegsmarine3, e o facto de o seu voo ter sido agendado para a noite não havia feito nada para ajudar a diminuir aquela sensação. De facto, o “Mosquito” que John e o seu co-piloto tripulavam nem sequer conseguiu iniciar a sua operação de reconhecimento, tendo sido avistado assim que chegou a terra; minutos depois, meia-dúzia de caças Messerschmitt Bf 109E apareceram no ângulo de visão de John e este amaldiçoou imediatamente a falta de armas daquele aparelho. Temendo pela vida (e pela do colega), John dera meia-volta ao seu avião, tentando utilizar a superior velocidade de ponta do “Mosquito” para fugir aos seus atacantes – todavia o avião fora apanhado pelos Bf 109E após ter completado a manobra. Sem qualquer arma e sem tempo de se colocar em fuga, o “Mosquito” fora presa fácil para os caças nazis, que o fizeram despenhar-se. John e o co-piloto haviam conseguido saltar do avião a tempo, mas haviam-se separado durante a queda, ficando cada um por si.

John caíra não muito longe de uma praia e pusera-se logo em fuga, sabendo que, tal como no ar, a perseguição em terra seria feroz: mal os nazis inspeccionassem os destroços do seu avião e não descobrissem corpos, iniciariam uma caça ao homem. E o facto de John ser negro era um tremendo handicap caso tivesse de passar despercebido a alguém em plena Alemanha nazi… acabando por ser capturado ao tentar esconder-se numa casa abandonada em Krummhörn. Foi levado para Dresden, onde, para além de agredido física e verbalmente, foi forçado a remover todas as roupas e enfiado numa cela de paredes brancas com azulejos da mesma cor, onde lhe colocaram uma coleira de cão ao redor do seu pescoço e prendendo-a a uma corrente que estava ligada a uma das paredes. E ali haviam-no deixado durante horas a fio, como um cão à espera do dono. Durante essas horas e aproveitando o facto de o terem deixado de mãos livres, John havia tentado partir a corrente, abrir a coleira, os cadeados que mantinham ambas as coisas presas ou mesmo um elo mais fraco da corrente, mas tudo em vão. Não lhe restou mais nada senão esperar e ver o que teriam os Hunos reservado para si, deitando-se em cima de um enxergão de palha com aspecto nojento que estava colocado num dos cantos da cela…
John teria de esperar muito para receber atenção: dir-se-ia que o queriam matar à fome, porque ele foi deixado na solidão da sua cela durante horas, sem contacto com quem quer que fosse, até o seu estômago começar a rugir em protesto pela falta de alimento. Para tentar esquecer a fraqueza, John deitou-se em cima do enxergão e tentou passar pelas brasas, tentando ignorar as comichões provocadas pelos percevejos que infestavam aquele colchão. Todavia, assim que ele começou a sentir-se adormecer, a cela foi inundada pela Horst-Wessel-Lied4 aos altos berros, emitida por altifalantes que John não conseguia descortinar. Aquela marcha foi repetida durante horas a fio, sempre no mesmo volume ensurdecedor; John não teve outro remédio senão deitar-se com as mãos nos ouvidos. Finalmente, quando o soldado inglês pensava que ia enlouquecer, as colunas calaram-se e a música parou.
Sem querer acreditar, John tirou uma mão dos ouvidos, a medo, depois retirou a outra, ouvindo um zumbir nos ouvidos provocado por horas a ouvir aquela música infernal. Sentia a boca seca da falta de água, uma dor no estômago pela falta de comida e uma dor de cabeça monstruosa pela falta de descanso. Todavia, a vontade de resistir mantinha-se inalterada.
John pareceu ter sido esquecido durante uma hora ou duas e só depois desse intervalo é que a porta da cela se abriu; a luz fraca que iluminava aquele lugar permitiu ver que se tratava de uma mulher fardada com o uniforme das SS, algo que o oficial inglês nunca havia visto. Parecia ter um rosto bonito e simpático emoldurado pelo seu longo cabelo escuro, uns olhos negros afáveis e uns lábios rosados. À medida que a recém-chegada se aproximava de John, o som das suas botas no chão ecoava por toda a cela, e o aviador inglês pôde ver nas mãos enluvadas da rapariga um bastão de madeira preta revestido numa das pontas com algo metálico. Assim que ela se abeirou de John, estacou e apoiou-se no pau à laia de bengala.
- Olá, soldado. – cumprimentou-o a recém-chegada, num inglês quase sem sotaque. Tinha uma voz suave e agradável; para quem imaginava os oficiais das SS (até mesmo as mulheres) uns monstros, aquela era uma agradável surpresa. Mas John não se deixou enganar e ignorou o cumprimento.
- Que rude da tua parte. Uma pessoa chega e cumprimenta-te e tu nem tens a dignidade de responderes. Muito bem. – continuou a rapariga, aparentemente desiludida – Vou fazer-te umas perguntinhas e tu vais responder-me, certo?
- Ao abrigo da Convenção de Genebra, apenas sou obrigado a revelar nome, exército e patente. John Mullin, oficial de voo da RAF, nº 234890. – entoou John.
A oficial sorriu.
- Muito bem, John, assim já te posso tratar pelo nome. Se me quiseres chamar, podes tratar-me por Karin. Entendido? Karin Gruber, ao teu dispor. – e simulou fazer uma vénia.
- John Mullin, oficial de voo da RAF, nº 234890. – repetiu o inglês.
- Sim, já tínhamos chegado a essa parte. E que mais me tens a dizer? Qual a tua missão antes de o teu avião ser abatido?
- John Mullin, oficial de voo da RAF, nº 234890. – voltou a repetir John, sempre com o mesmo tom de voz.
Karin sorriu, ficando a olhar para o soldado inglês, ainda ajoelhado em cima do colchão imundo. De súbito, a ponta metálica do seu bastão saiu disparada rumo à mão do inglês, que não teve qualquer hipótese de se proteger: a ponta metálica fracturou-lhe o dedo mindinho. Sem deixar John respirar, Karin partiu para cima do inglês, apertando-o contra a parede e estrangulando-o com o bastão.
- Escuta-me bem, preto de merda: tu só vais sair daqui quando eu quiser e como eu quiser. Podes ter a certeza de que nada me dará mais prazer do que bater-te até te tirar essa cor de merda da pele, espezinhar-te os colhões até ficares incapaz de criares, dar-te cabo do caralho para não poderes foder. És pior que merda e eu vou-te tratar pior que merda. Percebeste, escarumba?
A custo, John começou:
- John Mullin… oficial de voo da…
- Oh, cala-te com essa merda! – vociferou Karin, cuspindo na cara de John – Já estou farta de saber quem tu és! E podes ter a certeza que vou retirar o maior prazer de te extrair o que quero saber.
Dito isto, ela retirou a bengala, deixando John cair no colchão a respirar fundo e a agarrar o dedo partido. Ao mesmo tempo, começou a pensar numa forma de poder sair dali, aproveitando-se do facto de ter os braços livres.
Então, Karin saiu por uns momentos, regressando acompanhada de dois guardas. Trazia um chicote na mão e uma mala metálica enorme, que colocou no chão. Sem uma palavra, os soldados aproximaram-se de John.
- Hey, que vão fazer? Larguem-me! – protestou ele assim que estes o tentaram agarrar.
- Olha, olha, ele sabe dizer mais coisas para além do nome e do número… – riu-se a oficial das SS.
Apesar dos seus esforços, os braços de John foram seguros e ele foi arrastado para a parede, onde os pulsos foram acorrentados à mesma argola onde estava presa a sua trela, ficando de costas viradas para os alemães.
- Perfeito! – aprovou Karin, que desenrolou o seu chicote – Agora, se fosse a vocês, afastava-me.
Os soldados nazis obedeceram a Karin, enquanto John se virava para trás e olhava para ela.
- Segundo a Convenção de Genebra, vocês não me podem torturar nem negar o que quer que seja.
- Hmm, bem visto. – a nazi pareceu pensar por um momento – Se bem que a Convenção se aplica a seres humanos, não a animais. Não és abrangido, lamento. No que a mim diz respeito, tu aqui não tens direitos absolutamente nenhuns. Especialmente enquanto não começares a falar. Depois disso… logo se vê. – e Karin levantou o braço.
Durante uns momentos ela pareceu estar a ganhar algum balanço, para depois agitar com brusquidão o braço e o pesado bullwhip embater com estrondo nas costas desprotegidas de John, que grunhiu e cerrou os dentes para não gritar. Sem perder tempo, a oficial das SS continuou a chicotear impiedosamente as costas e rabo do desafortunado inglês, sempre com um sorriso nos lábios. De todas as vezes que aquele instrumento de tortura embatia nas suas costas, John esforçava-se ao máximo para não dar parte de fraco, cerrando os dentes com força e tentando abstrair-se ao máximo; todavia cada pancada fazia a sua resistência diminuir: é que Karin estava a ser extremamente bruta!
Terão sido cinco minutos a ser chicoteado ininterruptamente? Dez? Quinze? O inglês perdeu a noção do tempo. Todavia, quando Karin parou de o vergastar com o chicote, John olhou para cima e fez uma prece silenciosa de agradecimento a Deus.
- Aposto que os bisavós ou trisavós Mullin passavam por isto todos os dias lá na Pretolândia, não? – provocou Karin, sempre a sorrir, aproximando-se de John.
As mãos enluvadas da alemã passaram pelos sulcos que o pesado bullwhip havia aberto nas costas escuras de John. Ela retirou uma das luvas e começou a arranhar-lhe as feridas com as unhas, fazendo-o grunhir de dor novamente.
- Meus caros, eu sei perfeitamente que isto não funciona. – continuou Karin, dirigindo-se aos soldados – Eu sei, e no fundo, vocês também sabem, que isto que eu estou a fazer não adianta de grande coisa, é como malhar em ferro frio. E é perfeitamente óbvio que este caralho não vai dizer nada de nada nem que eu lhe parta os dentinhos todos, pois não? – quando John não respondeu, a mão enluvada de Karin agarrou-lhe nos testículos e apertou-lhos com força – Certo?!
John grunhiu, continuando a fazer-se de forte, todavia continuou em silêncio.
- Claro que sim. Por isso é melhor mudarmos a nossa abordagem. Vão buscar o outro.
Com uma saudação, os soldados retiraram-se da cela, deixando Karin sozinha com o aviador inglês. Ela havia-se afastado dele, voltado a colocar a luva na outra mão e ocupava-se agora em abrir a caixa que estava no chão. John olhou para lá e não conseguiu perceber o que tinha ela lá dentro, vendo inúmeros utensílios metálicos. Karin agarrou num deles e, sorrindo, aproximou-se do prisioneiro.
- Bom, vamos começar a preparar-te. Abre a boca.
John manteve-se quieto, não querendo ceder à vontade daquela facínora. De facto as aparências iludiam bastante: quem diria que uma rapariga tão bonita como aquela pudesse ser um monstro? E, para comprovar isso mesmo, Karin agarrou no nariz de John com força, torcendo-o sem piedade, até que este teve de abrir a boca para respirar; quando isso aconteceu, ela colocou-lhe o instrumento metálico na boca, regulando-o de forma que ele tivesse a boca sempre aberta. De seguida, ela agarrou numas algemas de ferro fundido, unidas por uma curta barra de ferro, e com elas prendeu os tornozelos de John, que não reagiu até ter as pernas fixas na mesma posição. Então soaram umas batidas na porta.
- Entrem!
Os dois soldados regressaram, arrastando pelos braços um outro prisioneiro pelos braços. John não os viu chegar porque estava de costas para a porta, mas mesmo que não estivesse não seria capaz de reconhecer a pessoa que ali estaria, uma vez que lhe haviam colocado um saco de pano sobre a cabeça. Tal como John, o recém-chegado estava nu, de tornozelos acorrentados e com uma coleira de metal à volta do pescoço, tendo os pulsos algemados atrás das costas, e tinha também uma faixa de metal a envolver-lhe a barriga, com uma argola solta na parte frontal. Os soldados atiraram-no sem cerimónia para cima do colchão, onde ele ficou imóvel.
- Bom, meus queridos, agora temos dois jogadores neste nosso joguinho do “quem fala primeiro”. Agora podemos brincar com os dois ao mesmo tempo! – enquanto falava, ela ia colocando uma faixa metálica idêntica à do novo prisioneiro em volta da barriga de John, enquanto este começava a sentir a sua baba a escorrer-lhe pela boca aberta – E como não me apetece perder tempo com escumalha, vamos já passar à parte que eu mais gosto, a parte em que se acaba com a vossa dignidade.
Os pulsos de John foram soltos da parede e também foram algemados atrás das costas; logo a seguir a corrente ligada à sua coleira foi solta da parede e o inglês foi arrastado para cima do colchão, ficando deitado ao lado do outro prisioneiro, virado para as suas pernas… e com a cabeça próxima das suas partes baixas. As mesmas mãos agarraram nele e deitaram-no em cima do desconhecido, ficando a cabeça de um encostada aos órgãos sexuais do outro, e retiraram o saco da cabeça da outra pessoa, todavia o inglês não pôde ver quem era devido à posição em que se encontravam. John teve um arrepio de nojo ao sentir uns testículos e um pénis apertados de encontro à sua testa! Todavia eles ainda não haviam acabado: ainda a segurar John até que a boca ficou ao nível daqueles órgãos, trataram em seguida de colocar cadeados que unissem a coleira de um à faixa metálica na barriga do outro. E a mão de Karin agarrou nos pénis de ambos, fazendo-os entrar naquelas bocas abertas e cheias de baba.
- Perfeito! Agora se calhar deixávamos estes dois maricas conhecerem-se melhor e voltávamos daqui a bocadinho, não? – sorriu Karin.
Os soldados aquiesceram e retiraram-se, sendo seguidos da oficial das SS.




1- Força Aérea Real
2- Deutsche Luftwaffe, a força aérea alemã
3- Marinha alemã
4- Originalmente hino da Secção de Assalto, foi posteriormente adaptada pelo Partido Nacional-Socialista como hino do partido e, mais tarde, um dos hinos oficiais da Alemanha nazi.

1 comentário:

  1. Muito bom. Diferente. Vou já ler a 2ª parte. <3

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