segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lição repetida

(história anterior)

A minha vida ao lado de Márcia cada vez mais se assemelhava a um conto de fadas infindável. Todos os dias ela arranjava maneira de me sentir uma princesa, sempre a dar-me um miminho, um carinho, uma prendinha por mais pequenina que fosse. Creio que já o disse, mas já não conseguia imaginar a minha vida sem aquela autêntica Amazona, dura com todos menos comigo (excepto na nossa intimidade!). Tudo era perfeito na minha vida.
Tudo… ou quase tudo. A questão do nosso vizinho homofóbico, apesar de aparentemente ter sido atacada por Márcia1, nunca ficou definitivamente resolvida. De vez em quando, lá nos deparávamos com um pneu furado num dos nossos carros (quando não era nos dois), um papelinho na caixa do correio a apelidar-nos de “fufas” ou um vidro partido com uma pedra e uma mensagem “Desapareçam ou morram”. Claro está que isto me deixava um nadinha assustada e falei à minha marida de que se devia fazer alguma coisa, arranjar uma providência cautelar ou assim, mas ela respondia sempre que era difícil provar que o autor daqueles actos de vandalismos era o nosso vizinho, uma vez que nunca havia testemunhas… Acabei por me conformar com aquela mancha no meu paraíso, até porque não havia nada que eu pudesse fazer.

Num fim-de-semana em que, apesar do Sol, estava frio na rua, aproveitáveis para tratar da casa. Eu estava na cozinha a arrumar uma roupa que eu havia passado a ferro, enquanto Márcia estava no outro lado da casa, aparentemente a aspirar – pelo menos o som do aspirador ouvia-se sem cessar e chegava aos meus ouvidos.
De súbito, uma mão foi-me colocada sobre a boca – mão essa que trazia um bocado de fita-cola preparada para me fechar os lábios – enquanto um braço me rodeava o peito. Comecei a olhar para trás mas, antes de conseguir vislumbrar qualquer vulto, a mão que eu tivera no rosto, após me ter fechado a boca, enfiou-me um saco de pano preto na cabeça, cortando-me qualquer possibilidade de vista. Em pouco tempo estava nua e de mãos e pés algemados, para depois ser arrastada pela casa até ser atirada para cima de algo fofo – a nossa cama, presumivelmente. Os meus pulsos e tornozelos foram soltos, todavia o meu alívio foi breve: pouco depois tinha as mãos presas atrás das costas (com um pulso preso aos cotovelo do braço oposto) e os tornozelos atados com as pernas dobradas de forma que eu ficasse com elas entreabertas. Mas a pessoa que me estava a amarrar – que só podia ser Márcia, apesar de nunca ter dito palavra – não se deteve e continuou a enrolar-me os seios em cordas, apertando-os. E, ao que pareceu, fui deixada sozinha.
Comecei a agitar-me na cama, um pouco desiludida por a minha marida não me ter enfiado nada no meu cuzinho… e senti o saco que tinha na cabeça a abrir-se um pouco. Hesitei sobre se devia tentar tirá-lo da cabeça mas acabei por progredir nessa ideia; e pouco depois já conseguia ver o que me rodeava. E a primeira coisa que vi foi um corpo masculino do outro lado do quarto… e tive um choque ao aperceber-me que se tratava do Sr. Américo! Fiquei em pânico a olhar para ele, pensando que me ia voltar a tentar violar, e só depois comecei a reparar no seu visual: ele também estava nu, como eu, e da posição em que me encontrava apenas conseguia ver a fita-cola a cobrir-lhe a boca e uns pedaços de corda ao redor do seu peito. Parecia estar inconsciente.
A presença daquele homem ali fez-me ficar extremamente nervosa; e pior fiquei quando os seus olhos se abriram e ele acordou. Ele tentou mexer-se, não conseguiu e soltou um grunhido abafado, depois descobriu-me e dirigiu-me um olhar de ódio, daqueles que me matavam se isso fosse possível. Porque estava aquele homem odioso ali? Comecei numa prece a pedir para que Márcia aparecesse…
A porta do quarto abriu-se e entrou uma figura de negro, em passo lento, enchendo o quarto com o som dos tacões das suas botas.
- Então, velhadas, parece que te tenho de acertar o passo novamente.
Fechei os olhos e sorri por trás da tira de fita-cola. Márcia! A minha marida vestia um catsuit de látex, um underbust de cabedal que, na zona do baixo-ventre, ostentava um dildo de tamanho razoável, tinha um chapéu de polícia e óculos escuros, e calçava umas botas de salto-agulha, que chegavam bem acima do joelho. Na mão enluvada segurava um chicote de aspecto ameaçador.
- Pois é, Memé, apesar de te ter fechado a picha a cadeado continuas armado em cabrão connosco. – ela dirigiu-se a ele e cravou-lhe o tacão da bota no ombro, fazendo-o urrar de dor – Esqueces-te de que já cá estávamos quando tu para cá vieste, por isso se estás mal aqui, muda-te. Aquilo que eu e a minha menina fazemos é perfeitamente legal e permitido, pois somos casadas. Se não gostas de mulheres aos beijos, o problema é teu.
Márcia atirou o chicote para cima da cama, ao meu lado, afastou-se do Sr. Américo e abriu uma gaveta, de onde retirou dois objectos fálicos, prontamente humedecidos numa qualquer substância lubrificante; depois voltou a aproximar-se do nosso vizinho, debruçou-se sobre ele e fez-lhe algo que não consegui ver da posição em que me encontrava – todavia pude ouvi-lo novamente a grunhir.
- Deixa-te de merdas, Memé! Não é aí o ponto G dos homens?!
Depreendia pelas palavras da minha marida que ela lhe estava a meter um dildo no cu. Quando ela se ergueu, indiferente aos gemidos e grunhidos do Sr. Américo, olhou para mim com um sorriso sádico, apontando o outro dildo na minha direcção sem dizer palavra. Voltou à gaveta de onde retirou um ferro comprido com tiras de cabedal num ponta e uma rosca na outra, onde ela tratou de enfiar o outro falo antes de se ajoelhar na cama perto de mim, tirando os seus óculos de sol e colocando-mos sobre os meus olhos.
- Não julgues que me esqueci de ti, minha escrava sexual… – ronronou ela – Vamos mostrar ao Memé aquilo que ele nunca foi capaz de fazer com mulheres!
Márcia fez-me erguer um pouco o meu corpo para me começar a enfiar, suave mas firmemente, o dildo no meu cuzinho. Não era dos maiores que ela já me havia ali enfiado, mas ainda assim fez-me impar à medida que aquela coisa ia avançando para dentro de mim. Assim que o falo entrou todo em mim, ela prendeu as tiras de cabedal aos meus tornozelos.
- Prontinho, se quiseres brincar com o teu cu, estás à vontade. Enquanto isso, eu brinco com a tua coninha. – e atirou-se para cima de mim.
Como de costume, a minha marida avançou por cima de mim como uma fera pronta a devorar a sua presa; eu ficava sempre com borboletas no estômago quando estava à sua mercê, sem saber o que iria suceder a seguir – e, contrariamente ao que se possa pensar, era uma sensação tão boa! Márcia deitou-se sobre mim, encostando o seu dildo ao meu baixo-ventre e passando a sua língua pela minha cara, lambendo-me o suor que já me escorria pelo meu rosto. No momento seguinte, aquela sua pila entrou-me na ratinha com alguma violência, com a violência com que ela adorava tratar-me no sexo, com a violência com que eu adorava que ela me tratasse…
- Vês, Memé? É assim que eu trato a minha mulher. – declarou ela, olhando para o lado, para onde o Sr. Américo nos olhava com um ar carregado de desprezo e ódio, mas sem parar de me penetrar – Tens problemas com isto, é? Com o facto de ser eu a comê-la e não tu? Vais ter de lidar com isso, pois esta carninha de faisoa não é para os dentes de cães rafeiros como tu… Habitua-te, Memé! É para isso que aqui estás!
Sendo sincera, o facto de ter ali aquele homem odioso diminuía-me um bocadinho o prazer que Márcia normalmente me fazia sentir, e mesmo com a ferocidade com que ela me estava a penetrar esse factor não desaparecia. Acabei por mexer os tornozelos, fazendo com que o falo que eu tinha enfiado no cuzinho se agitasse e me ajudasse a sentir melhor… Márcia notou e sorriu, mas não disse nada.
De súbito, a minha marida saiu de dentro de mim e virou-me de forma a ficar com o meu baixo-ventre na direcção do Sr. Américo; de seguida, ela agarrou no seu prisioneiro por baixo do braço, erguendo-o e atirando-o para a cama, quase sobre as minhas pernas, ficando deitado de barriga para baixo mas com os pés no chão.
- Bom… mentira: não estás aqui só para me veres foder a minha princesa. Estás aqui para seres fodido também, Memé! Vou fazer de ti um “Amé-ricas”! – e, enquanto se ria da sua piada, Márcia retirava o dildo (ou vibrador?) que colocara previamente no rabo do Sr. Américo, colocava um preservativo no seu strap-on, agarrava num frasquinho de óleo e despejava-o sobre o mesmo e sobre aquele posterior que estava à sua mercê.
Da posição em que estava, pude ver o olhar do nosso vizinho transformar-se: se sempre vira neles ódio e desprezo, naquela altura via-os inundados de um medo infindável, como se o seu pior receio se estivesse prestes a realizar e não pudesse fazer nada para o impedir. E, de facto, no instante a seguir, Márcia deitou-se sobre o corpo do Sr. Américo, fazendo com que a sua pila lhe entrasse no rabo.
- Olha para ele… todo lá dentro! Todo lá dentro do cu do querido! – e riu-se mais uma vez, à medida que balançava as ancas e enfiava e tirava a sua pila daquele posterior virgem.
Os olhos do homem fecharam-se com força após a primeira penetração; e lágrimas começaram a escorrer por eles abaixo.
- Estás a sentir este cheiro, Memé? – continuou Márcia, sempre a comer o rabo dele – É o cheiro da cona da minha miúda quando está excitada. Já a fodi e daqui a bocadinho vou acabar com ela… exactamente da mesma maneira que estou a rebentar contigo. E só de pensar nessa ideia, só de lhe ver o que lhe vai acontecer, ela fica ainda mais molhada e mais húmida… sente como ela está húmida, Memé! – e empurrou-lhe a cabeça até ficar quase em contacto com a minha ratinha.
Não consegui ver se ele esboçou alguma reacção… mas Márcia estava certa numa coisa: apesar de os óculos de sol de Márcia me impedirem um bocadinho a visão, ver o que me estava reservado fazia-me sentir excitada. E ver aquele homem odioso a ser enrabado… ainda mais. Voltei a agitar o dildo que tinha no cuzinho, estimulando-me ainda mais e fazendo-me aproximar a passos largos do clímax.
Todavia, antes de o conseguir atingir, Márcia ergueu-se, sem parar de penetrar o posterior do Sr. Américo – pareceu até que o passou a fazer com ainda mais força! – e começou a gemer de prazer.
- Toma, Memé… toma! Toma! Toma! Toma! A ver se amansas!
Imaginei Márcia a comer-me exactamente daquela maneira, à bruta, sem piedade, e acabei por acelerar a velocidade do meu dildo até que eu também me consegui vir, juntando os meus gemidos aos da minha marida.
Assim que se acalmou, Márcia saiu do posterior do Sr. Américo, agarrou no homem, afastando-o de mim, e atirou-o para o chão sem cerimónia, tirando-o do meu ângulo de visão. A sua mão agarrou no cabo do chicote que havia sido atirado para a cama, abanou a cabeça como que desapontada e desferiu uma meia-dúzia de chicotadas naquele corpo caído aos seus pés, não se ouvindo grande resposta para além de um gemido surdo.
- Apenas um lembrete para te ficar na ideia. Far-te-ei muito pior do que o que te fiz hoje se nos voltarmos a chatear.
Entretanto eu começava a desesperar. Tudo bem que a minha marida estava a tratar do assunto do nosso vizinho homofóbico, mas eu precisava de ter aquela Amazona a dominar-me mais uma vez, a ser bruta comigo tal como prometera! E pior fiquei quando a vi agarrar no Sr. Américo e arrastá-lo para fora do quarto, ficando eu sozinha. Soltei um grunhido em protesto, mas ninguém me ligou. Todavia Márcia reapareceu logo a seguir, com cara severa.
- Que se passa, puta paneleira? Estás impaciente?
Assenti freneticamente enquanto sorria por trás da fita-cola. Aquela sua alcunha para mim, “puta paneleira”, deixava-me sempre ansiosa…
- Achavas mesmo que ia deixar o Memé assistir ao resto da nossa intimidade? Ou mostrar-lhe o quão puta tu consegues ser? Nem pensar, a puta paneleira é minha e só minha e só eu tenho o direito de te ver assim!
À medida que ia falando, Márcia desapertou as tiras de cabedal dos meus pés e retirou-me o dildo do cuzinho, depois desatou-me as pernas e virou-me até ficar de barriga para baixo, puxando-me na sua direcção até ficar de pés assentes no chão e cu espetado na direcção da minha marida.
- Espero que estejas preparada… – senti óleo a ser-me despejado sobre as nádegas e uma mão a esfregar-me a substância pelo meu ânus, enfiando-me o dedo dentro de mim sem cerimónia – Eu mimo-te demasiado, ainda meto lubrificante para não te doer muito. Tenho é de arranjar uma pila de cavalo para ta meter no cu!
Márcia deitou-se por cima de mim e senti logo o seu strap-on encostado ao meu cuzinho; e ao mesmo tempo que ele entrou em mim com força, uma das suas mãos agarrou-me no cabelo e puxou-me a cabeça para trás, enquanto a outra arrancava a fita-cola que me cobria a boca (ficando ainda uma ponta colada à minha bochecha) e me enfiava alguns dedos para eu chupar, coisa que fiz com sofreguidão.
- Olha para ela, toda lampeira, a levar no cu e a lamber-se toda… que puta! – escarneceu Márcia, enquanto a sua pila investia sem cessar no meu cuzinho – Um dia destes arrasto-te para uma loja de tatuagens e digo para te meterem uma tatuagem no pescoço “Puta pertença de Márcia Semedo”, para andares marcada e todos saberem que és minha!
Era da praxe: a minha marida quando se excitava falava logo naquele tipo de coisas, em marcar-me, em exibir-me como sua puta – era o sinal de que se estaria quase a vir. E, efectivamente, poucos momentos depois ela começava a gemer loucamente, não parando todavia de me enrabar… até eu própria me sentir a atingir o clímax. E ainda melhor me senti quando Márcia se deixou cair sobre mim, aparentemente fatigada, abraçou-me com força e deu-me uma série de beijinhos no pescoço e omoplatas, com a sua pila a imobilizar-se dentro de mim.
- Achas que o Sr. Américo nos vai deixar em paz desta vez? – perguntei, um longo tempo depois.
- Vai. Tenho a certeza disso. Agora cala-te e deixa-me gozar este momento.
Perante aquela resposta, não fiz mais perguntas e deixei-me ficar a desfrutar dos seus carinhos pós-queca.


1- ver "Homofobia"

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