segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A caçada

Encostei-me a uma parede para ganhar fôlego e olhei em redor. Aquela zona tinha bastantes esconderijos, mas nenhum me pareceu ideal para tentar arriscar e ficar quieto à espera que o tempo passasse. Assim, quando me senti ligeiramente mais descansado, voltei à fuga.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Memórias da família Karabastos: Alyx Karabastos

Texto encontrado nas ruínas de uma casa situado na cidade de Glyfáda, nos subúrbios de Atenas, traduzido e adaptado à linguagem corrente.

Sou Alyx Karabastos. Não quero que a minha história se perca e seja esquecida. Quero que, mesmo que seja daqui a cem ou duzentos anos, mesmo que seja já depois de os vermes terem reduzido a minha carne e os meus ossos a pó, mesmo que que as minhas filhas já cá não estejam para saber o que aconteceu à sua mãe, todo o mundo saiba o que me aconteceu. Fui uma vítima dos otomanos, esses filhos de uma cadela sarnenta. Assassinaram o meu Mikhael, o homem mais amável e justo que alguma vez colocou pé no mundo, simplesmente por um desses tinhosos me desejar para ele e me querer violar diariamente.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Bonecas

(história anterior)

Um estrondo sobressaltou-me, acordando-me do sonho que estava a ter (que agora nem me recordo qual era). Abri os olhos tentando ver o que se passava mas um foco de luz potente iluminou-me a cara, deixando-me cego.
- Hey! Que se passa aqui?! – gritei, ainda a sentir-me sob a influência do sono.
Os lençóis que me cobriam foram levantados bruscamente e dois pares de mãos agarraram-me pelos braços, arrancando-me da cama com brusquidão. Tentei olhar à minha volta – algo inútil, visto ainda estar encandeado.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Puta

(história anterior)

Pela centésima vez agitei-me na cama, tentando ver se as minhas amarras cediam, pela centésima vez percebi que os meus movimentos eram inúteis: a minha Dona havia-me amarrado bem. Apenas desejava que Ela não demorasse muito a regressar, pois já havia saído havia algum tempo e estar deitado numa cama envergando apenas uma camisinha de noite transparente, uma tanguinha, cinto de ligas, meias de nylon e sapatos de salto alto não fazia com que eu me sentisse muito quente…

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Prenda de Natal

(história anterior)

Bom, comecemos por onde costumo começar: pelas novidades da nossa cada vez maior irmandade, aquela parte enfadonha que ninguém gosta de ler mas que eu gosto de contar. A primeira prende-se com o mais recente casal (que já existia há algum tempo mas que só nos últimos meses se oficializou): Andreia e Helena andam numa espécie de “guerra” para decidirem quem vai “usar as calças” na relação, especialmente desde que a minha irmã reavivou o lado dominante da hermafrodita. Não tem havido discussões nem nada do género, mas tem sido uma “guerra” muito erótica, que se calhar até valia a pena ser relatada – tenho de desafiar uma delas para falar disso, sei que vocês deliram com essas coisas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

No meio de nenhures

 (história anterior)

- Márcia, ainda aqui está?
- Sim, Sr. Monteiro, estou a ver se despacho este projecto. Calhava entregá-lo quanto antes, os clientes estão algo chatos…
- Ah, percebo. – uma pausa – Que é feito da Andrea?
- Já saiu, disse-lhe para ir para casa, isto não é nada com que ela me possa ajudar de qualquer maneira…
- Ah, OK. Tente não queimar muitas pestanas, sim, Márcia? Não queira ter uma vida como a minha, cheia de úlceras e divórcios… nenhum trabalho é mais importante que a nossa vida.
Márcia riu-se.
- Não se preocupe, Sr. Monteiro, daqui a bocadinho já me vou embora.
- OK, OK. Bom fim-de-semana, Márcia.
- Bom fim-de-semana, senhor.
Ouviu-se uma porta a bater; após uns segundos de espera, Márcia baixou a cabeça e olhou para os pés da secretária.
- Pronto, querida, estamos a sós.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Peddy-paper

(história anterior)

A empresa de confecção de que o meu Dono era o director passou por um mau bocado por causa da crise. Durante esses longos meses, Ele chegava a casa distante e preocupado, com pouco tempo para mim e, enquanto eu tratava da lida da casa ou da loiça, fechava-Se muitas vezes no escritório fazendo contas à vida e tentando descobrir uma forma de manter a empresa aberta sem despedir ninguém mas ao mesmo tempo fazendo face às despesas e à falta de encomendas. Apesar da Sua falta de tempo para mim, todas as noites eu me entregava a Ele numa tentativa de O animar, para O relaxar, para Ele aliviar a Sua tensão e os Seus problemas em mim; e, modéstia à parte, parecia-me que Ele Se deixava dormir todas as noites um bocadinho mais animado por minha causa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ida à piscina

(história anterior)

Desde aquela maldita tarde em que a minha irmã Joana me obrigou a sair à rua vestido de rapariga, tal como eu receava, comecei a viver um autêntico Inferno. Ela praticamente transformou-me no seu escravo, obrigando-me a fazer os seus trabalhos de casa enquanto ela ia sair com as amigas, às compras, sei lá. Como eu tinha sobre mim a eterna ameaça do “ou fazes o que te digo ou mostro as fotos de ti em menina ao pai”, não tinha outra alternativa senão cumprir com as suas ordens.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A dívida

Acordei com uma sensação estranha e a cabeça pesada, como se tivesse ido para os copos na noite anterior. De facto, como me sentia farto de estar em casa, peguei no carro e fui até a um bar, passar o tempo e beber uma cervejinha ou duas. Pelo menos, era essa a ideia que eu tinha… só me recordava de estar sentado ao balcão, com um copo de imperial à frente, a ver as vistas, a “olhar para ontem”, nem me meter com ninguém. Depois disso… a minha memória era um buraco turvo e omisso. Nem sabia como raio havia chegado a casa.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A Mamã

Antes de mais, acho que tenho de fazer uma ressalva e afirmar que o facto de eu estar a viver com uma Mulher com idade para ser minha mãe não é nenhuma disfunção mental ou algo forçado: é uma opção minha. Sinto-me atraído por Senhoras mais velhas e, principalmente, que Elas me dominem à Sua vontade. O facto de Elas terem muito mais idade que eu faz com que eu me sinta inferior ao pé d’Elas, faz parte da minha forma de ser dominado.